
08/11/2005 - 12h52m
The New York Times
LONG PRAIRIE, EUA - A pólio foi dada como erradicada no Hemisfério Ocidental há anos, depois de uma das mais bem sucedidas campanhas de saúde da História. Mas agora a doença está reaparecendo através de uma pequena comunidade amish, que vive na parte central de Minnesota. O surto teve início com uma menina de oito meses, que passou o mal para quatro crianças de fazendas vizinhas. Até agora, ninguém ficou incapacitado devido à doença; apenas um em 200 casos de pólio resulta em paralisia. Mas autoridades sanitárias acreditam que isso pode ser apenas uma questão de tempo. A história de como a pólio chegou a essa comunidade rural composta por 24 famílias, que seguem conceitos do século XIX como uma grande desconfiança com relação à eficácia da vacinação, é ao mesmo tempo uma história de detetive e um conto de alerta que sugere que a erradicação da pólio pode ser mais difícil do que se pensava, mesmo no mundo desenvolvido. Ninguém espera que os Estados Unidos seja palco de um tipo de surto que recentemente afetou a África e a Ásia, frustrando a antiga meta de eliminação da pólio até o fim deste ano. Mas os casos de Long Prairie ressaltam os pontos frágeis dessa campanha mundial. A menina amish de oito meses, cujo nome tem sido mantido em segredo pelas autoridades sanitárias, apresenta uma deficiência de imunidade que a torna incapaz de livrar seu corpo do vírus. Como ela contraiu o vírus ainda é um mistério. Ela pode ter sido infectada em um hospital por outro paciente com deficiência de imunidade, que pode ter carregado a doença por anos. Um médico ou enfermeira pode ter servido de ponte. Ou talvez exista uma cadeia de portadores dentro da comunidade amish. O vírus é passado das fezes para a boca, uma forma de transmissão surpreendentemente eficiente. Agora, a menina é uma fonte de pólio, uma Maria Tifóide moderna que pode passar a doença para os outros. Qualquer pessoa que não tenha sido vacinada está vulnerável. E apesar dos índices de vacinação nos Estados Unidos ser historicamente altos, um grande número de pais ainda resiste a submeter seus filhos à inoculação com medo de que isso provoque desordens como o autismo, uma associação que cientistas quase que universalmente descartam. Segundo dados fornecidos pela Organização Mundial de Saúde (OMS), as Américas foram consideradas livre da doença em 1994.
Fonte:
http://oglobo.globo.com/online/ciencia/189082552.asp
Nenhum comentário:
Postar um comentário