09/11/2005 - 14h37
da Efe, em Londres
Um projeto de lei do governo britânico que estabelece um currículo nacional para crianças de até três anos de idade tem causado polêmica. No futuro, tanto os jardins de infância como as babás profissionais serão obrigados a se ajustar a esse currículo, destinado, segundo o projeto, a ajudar as crianças a comparar, classificar e reconhecer símbolos.Para a Confederação Nacional de Associações de Pais e Professores, "as crianças serão privadas de sua infância assim que saírem da maternidade"."Desde o momento do nascimento, a criança será governada pelo Ministério da Educação", afirmou Margaret Morrissey, porta-voz da Confederação.Alguns especialistas dizem que o plano deixa pouco espaço para a criatividade infantil e reduz a margem de manobra dos responsáveis pelo cuidado das crianças.Segundo o governo, o currículo foi elaborado depois que diversos estudos demonstraram que o início da educação tão cedo ajuda o indivíduo a se desenvolver mais rapidamente, tanto social como intelectualmente."Não queremos sentar os bebês em cadeiras e obrigá-los a aprender a contar e a escrever se não for apropriado", disse o responsável por ensino infantil no Ministério da Educação, Beverley Hughes.CurrículoO currículo se baseia em um documento publicado há dois anos, que dá uma série de conselhos para a observação cuidadosa da evolução das crianças do momento do nascimento até os 38 meses.O documento em questão assinala que "a criatividade, a imaginação e o poder de representação permitem às crianças compartilhar com outros seus pensamentos, sentimentos e identidades através de desenhos, palavras, movimentos, música, dança e jogos imaginativos".O governo designará inspetores para que comprovem se as crianças cumprem os requisitos que caracterizam a "criança saudável" e que incluem sua capacidade para expressar "alegria, tristeza, frustração ou medo e o desenvolvimento de estratégias para enfrentar novas situações".Apesar dessas exigências, o projeto de lei em questão não garante aos pais trabalhadores que alguém poderá cuidar de seus filhos durante sua ausência, apesar das promessas do governo de que esse serviço terá caráter universal.As autoridades locais terão a obrigação legal de fornecer esse tipo de serviços aos pais que trabalham apenas "quando for viável".
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u18023.shtml
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