10 novembro, 2005

Evolucionismo sofre mais um revés nos Estados Unidos

O Estado do Kansas, nos Estados Unidos, aprovou novos padrões para o ensino de ciências que abrem espaço para professores das escolas públicas questionarem a teoria da evolução em suas aulas.

A decisão do comitê de educação desse Estado americano, por seis votos a quatro, é considerada uma vitória dos criacionistas e dos defensores do "desenho inteligente", teoria segundo a qual o universo é tão complexo que deve ter sido criado por um poder superior.

Muitos cientistas dizem que os criacionistas reembalaram velhas idéias em uma nova linguagem com tom científico para driblar uma decisão da Suprema Corte dos EUA em 1987.

Na época, o principal tribunal americano se opôs ao uso da Bíblia nas escolas públicas para explicar a origem, ou criação, do ser humano.

Amplamente aceita pela comunidade científica, a teoria da evolução, ou evolucionismo, foi popularizada pelo cientista britânico Charles Darwin, na década de 1850, baseada na evidência de que as espécies evoluem adaptando-se às condições naturais, a chamada seleção natural.

Violação constitucional

Para os críticos da decisão do comitê do Kansas, tomada na terça-feira, os novos padrões para o ensino de ciência são uma tentativa de introduzir Deus e o criacionismo nas escolas públicas, violando a separação constitucional entre igreja e Estado em vigor nos EUA.

Os novos padrões estabelecidos pelo Kansas dizem que os estudantes do ensino médio devem compreender importantes conceitos da teoria da evolução.

Contudo, também declaram que a teoria básica de Darwin de que toda a vida teve uma origem comum foi desafiada recentemente pela descoberta de fósseis e pela biologia molecular.

A decisão segue medida similar tomada em outros quatro Estados americanos, Minnesota, Novo México, Ohio e Pensilvânia.

Pressão

De toda forma, o que de fato é ensinado na sala de aula continuará a cargo dos 300 comitês escolares locais do Estado do Kansas, embora alguns educadores temam que em algumas comunidades aumentará a pressão para ensinar menos sobre evolução ou mais sobre criacionismo e "desenho inteligente".

"Este é um dia triste. Estamos nos tornando motivo de risos não apenas da nação, mas também de todo o mundo, e eu detesto isso", disse Janet Waugh, membro do comitê do Kansas ligada ao Partido Democrata.

Contudo, John Calvert, um promotor aposentado e fundador da rede "Desenho Inteligente", disse que as mudanças no ensino de ciências serão graduais, com alguns professores se sentindo mais livres para discutir teorias críticas ao evolucionismo.

"Essas mudanças não têm como objetivo mudar os corações e mentes dos fundamentalistas da teoria de Darwin", afirmou Calvert.

Fonte:

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/story/2005/11/051109_kansasjag.shtml

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