31 maio, 2006

Programa do Brasil para Aids 'é insustentável'

O programa brasileiro de distribuição de anti-retrovirais para portadores do vírus HIV é insustentável a longo prazo da maneira que é hoje, alerta o diretor do Instituto de Saúde de São Paulo, Alexandre Grangeiro, entre outras autoridades no assunto.

Em entrevista à BBC Brasil, Grangeiro disse que o Brasil gastou cerca de R$ 6 mil por paciente beneficiado pelo programa em 2005, valor que, segundo ele, só poderá ser mantido às custas de outros programas de Saúde.

"Manter a atual política de anti-retrovirais significa comprometer os tratamentos de outros programas (do Ministério da Saúde), o que já aconteceu em 2005", disse o especialista, que esteve à frente do programa nacional de combate à doença.

O Brasil é elogiado em um relatório do Unaids (programa da ONU para a Aids) divulgado nesta terça-feira.


Clique aqui para ler mais sobre o relatório da Unaids

Grangeiro baseia a sua conclusão em um estudo assinado por ele e outros especialistas, incluindo outro ex-diretor do programa brasileiro para a Aids, Paulo Teixeira, em que analisaram a resposta nacional à doença entre os anos de 2001 e 2005.

Já publicado na Revista de Saúde Pública, o estudo será discutido na Conferência sobre a Aids que começa nesta quarta-feira em Nova York, e deverá servir de base a uma das proposições da declaração final do evento.

"A tendência de aumento da proporção do PIB e das despesas federais com saúde destinadas à aquisição de anti-retrovirais demonstra que a sustentabilidade da política de acesso aos medicamentos será garantida apenas se o país crescer a uma taxa anual de 6%, cenário que se mostra pouco provável", diz o artigo.

Os cenários traçados pelos especialistas foram baseados em estimativas de crescimento de 2% a 4%.

Segundo Grangeiro, se decidir não comprometer o orçamento da Saúde em detrimento de outras doenças, o Brasil vai ter que escolher entre diminuir a qualidade do tratamento atualmente dispensado aos soropositivos - com remédios que garantem menor sobrevida, por exemplo - ou atacar as causas do aumento dos preços dos remédios.

Embora ressalte que o custo vem aumentando também por causa do maior número de pessoas em tratamento, Grangeiro avalia que o aumento se deve ao principalmente ao descrédito da indústria nacional de genéricos, que deixou de fabricar medicamentos importantes e deixou de ser uma ameaça para os grandes laboratórios em relação à quebra de patentes.

"Até 2003, havia a percepção de que a indústria (pública) nacional tinha capacidade técnica de produzir drogas patenteadas. Desde 2004, a indústria nacional está desacreditada", afirma Grangeiro.

Para o especialista, o descrédito é "gerencial e político", já que os laboratórios públicos têm capacidade técnica para fabricar "qualquer medicamento".

Ele argumenta que a quebra da patente é a medida de última instância, mas a fabricação dos genéricos é um instrumento importante não só para o avanço da pesquisa científica como para aumentar o poder de negociação do governo brasileiro junto aos laboratórios.

Segundo Grangeiro, existe uma expectativa de órgãos ligados ao combate à Aids de que o Brasil quebra uma patente e reassuma a liderança na questão. "Existe até uma frustração internacional de que o Brasil ainda não tenha quebrado uma patente".

O Brasil ameaçou quebrar patentes de medicamentos anti-terovirais em diversas situações, mas acabou chegando a um acordo com os laboratórios detentores em todos os casos.

A quebra da patente é considerada legal em situações de emergência de saúde pública.

Embora avalie que o encarecimento do programa brasileiro põe em risco os bons resultados atingidos, Grangeiro compartilha da avaliação positiva feita no relatório da Unaids divulgado nesta terça-feira.

"A resposta do Brasil à Aids continua a ser louvável. A prevalência nacional do HIV era 0,5% em 2005, infecções de HIV relacionadas ao uso injetável de droga estão em queda em diversas cidades e o acesso ao tratamento é amplamente difundido. Cerca de 170 mil dos 209 mil brasileiros precisando de terapia retroviral estavam recebendo-a em 2005, incluindo 30 mil usuários de drogas injetáveis."

O relatório destaca ainda como motivo de preocupação estatísticas do Ministério da Saúde indicando que um terço dos jovens entre 15-24 anos se tornam sexualmente ativos antes dos 15 anos. "Essas tendências reforçam a necessidade de sustentar e ajustar esforços de prevenção".

Como em outros países, no Brasil a ONU chama a atenção para o fato de que as mulheres continuam a ser afetadas do que homens pela doença.

Fonte:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/05/060530_aidsbrasilvalecg.shtml

30 maio, 2006

SP reduziu força policial nos "anos PCC"

30/05/2006 - 09h06

LUÍSA BRITO
da Folha de S.Paulo

Enquanto a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) ampliou o seu poder por todo o Estado de São Paulo nos últimos 11 anos, o número de policiais, civis e militares, foi reduzido. Em 1995, eram 352 policiais para cada 100 mil habitantes. Agora, a proporção caiu para 309/100 mil.

Em números absolutos, as forças de segurança do Estado passaram de 121.312 policiais civis e militares em 1995 (dois anos após a criação do PCC), na gestão do tucano Mário Covas (morto em 2001), para 127.073 no governo Geraldo Alckmin/ Cláudio Lembo. Em relação ao aumento populacional, houve redução de 12%. No período, a população estimada, segundo o IBGE, subiu de 34.443.979 para 41.053.671 habitantes.

O efeito dessa queda é sentido nas ruas e, principalmente, nos setores de inteligência e de investigação da polícia paulista.

Segundo um delegado que não quis se identificar, devido à grande carga de trabalho, os investigadores não conseguem fazer todas as investigações necessárias, o que atrapalha a elucidação de todo o tipo de crime.

Em relação ao efetivo da Polícia Militar, as queixas são parecidas. "Com a falta de pessoal, alguns policiais trabalham sozinhos num carro e outros têm a folga prejudicada e trabalham", afirma o cabo Wilson Morais, presidente da Associação de Cabos e Soldados da PM.

A assessoria de imprensa da SSP (Secretaria da Segurança Pública) afirma que o número de policiais no Estado é suficiente e que a criminalidade caiu.

Entre 1996 e 2005, apesar de alguns tipos de crime terem caído, como o homicídio doloso (30%) e o latrocínio (30,5%), algumas ocorrências cresceram. A quantidade de seqüestros, por exemplo, passou de 12 para 133 ao ano e a de roubo cresceu 81,7% --subiu de 123,4 mil para 224,3 mil.

Mais inteligência

Para especialistas em segurança pública, o número de policiais em São Paulo é suficiente, mas falta organização do efetivo e investimentos em serviços de inteligência policial.

"O investimento [em funcionários] é adequado. O problema é o resultado. Tem que definir os objetivos da polícia, monitorar e avaliar a qualidade do trabalho", diz Paulo de Mesquita Neto, pesquisador da USP.

Para o coronel José Vicente da Silva Filho, especialista em segurança, é necessário racionalidade na distribuição dos recursos e melhor gerenciamento do efetivo.

Para o vice-presidente do Ibccrim (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais), Sérgio Mazina, a redução no número de policiais per capita é preocupante, mas investir na melhoria do serviço é mais urgente.

Não há um mínimo recomendado de policiais por habitantes, segundo os especialistas, pois isso varia muito de acordo com cada região.

O número per capita de policiais em São Paulo é semelhante ao do Rio de Janeiro. Já em Buenos Aires, por exemplo, são 1.172 policiais por 100 mil habitantes, segundo dados do Ministério do Interior argentino. Em Bogotá, o índice é bem inferior: 172/100 mil habitantes.

Colaborou SIMONE HARNIK, da Folha de S.Paulo

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u122177.shtml

O trabalho esquecido





A história social do movimento operário é mal conhecida. O passado precisa de registro para ser visitado e os historiadores da corte capitalista vêem ignorando tudo o que dê razões à revolta. Temos assim na nossa respeitada elite, muitos profissionais da celebração do vencedor, a inscrever como inevitável e genial o “agora” sobre as alternativas que se esvanecem da memória.

Os historiadores da corte perduram com vastas honras amovíveis - “a ordem das coisas” deve agradecer a Filomena Mónica pela sua gerência da história social Portuguesa. E se hoje nos EUA se faz história de classe sem precedente, este trabalho é ainda lento e parcial. O acto do esquecimento neste país faz-se não só nos livros que não se escrevem, mas em destruir as evidências do crime histórico.

Quem visitar Homestead em Pittsburgh encontrara um condomínio privado ostensivo no seu luxo. O que não se percebe a vista desarmada (e a arma é um livro) é que se trata de um luxo sepulcral. Estes belíssimos condóminos foram erigidos para enterrar um monumento à resistência operária. Em 1892, os trabalhadores de Homestead barricaram-se na metalurgia do milionário Carnegie exigindo melhores contractos de trabalho (dado o termo de contractos anteriores). Pela primeira vez na história social Americana, a de que temos registro, operários brancos e negros, sindicalizados e não sindicalizados actuaram em solidariedade. Em resposta, o patronato contratou um exército mercenário de 300 homens, “detectives”, para combater os ocupas. Durante um dia de batalha, com 3 mortes de mercenários e de 7 trabalhadores, os invasores renderam-se aos proletários. Semanas depois foi a National Guard que surgiu no horizonte em defesa do patronato, muito temida pelos massacres sobre os amotinados de classe. Mas face à determinação da comunidade, os militares recusaram-se a disparar. O trabalho vencia contra o capital! Que terrível memória esta: não só a evidência de uma luta entre classes, mas a vitória do combatente errado.


Fonte:
http://obitoque.blogspot.com/

O roubo de Diego Garcia

A história de Diego Garcia é chocante e inacreditável. Uma das ilhas do arquipélago de Chagos, colónia Britânica no meio do Índico, é segundo todas as fontes belíssima, um paraíso com uma das raras reservas de corais do mundo. Em 1961, os 2000 habitantes foram expulsos da ilha, para que os americanos pudessem construir uma das maiores bases militares do mundo. Hoje vivem lá mais de 2000 oficiais militares, há portos para 30 navios de guerra, espaço para o depósito de lixo nuclear, uma estação espacial de espionagem, centros comerciais, bares e campos de golfe.

A expulsão dos habitantes de Diego Garcia foi levada a cabo pelo governo trabalhista de Harold Wilson, em absoluto sigilo com o governo americano. Para justificar o acto publicaram um role de mentiras (a que hoje já estamos habituados!) como a de que todos os habitantes da ilha eram trabalhadores contratados que teriam que voltar para as Maurícias, a mais de 1600 km de distância (a verdade é que havia famílias que já viviam na ilha há mais de cinco gerações). Assim que os americanos chegaram para construir a base, o governador das Seychelles, responsável pela evacuação da ilha, ordenou o extermínio de mais de 1000 cães de estimação dos habitantes, como aviso à população.

O exílio do povo de Diego Garcia é tragicamente conhecido pelo elevado número de suicídios, incluindo de crianças, prostituição, droga e desemprego. Só após uma década de luta é que os exilados receberam uma compensação do governo britânico: menos de 3000 libras por pessoa.

Em 2000, os Garcianos ganharam pela primeira vez o caso em tribunal, que considerou a sua expulsão como ilegal. Poucas horas depois, Tony Blair anunciava que o regresso dos habitantes à ilha não seria efectuado por “acordos” com Washington. Em Junho de 2004, o governo de Blair, encurralado pelo processo legal, ressuscita o poder real de anular o julgamento, favor que a rainha concedeu ao seu primeiro-ministro.

Hoje, mais de 40 anos depois, o supremo tribunal do Reino Unido voltou a falar em favor do povo de Diego Garcia, e a renovar-lhes o direito de regresso à ilha. Mas não é assim tão fácil: o governo britânico ainda pode pedir recurso e os novos residentes da ilha, agora britânicos e americanos, têm que concordar com o seu regresso.

Entretanto, os bombas de Bush e Blair continuam a voar das praias de Diego Garcia.

Fonte:
http://obitoque.blogspot.com/

October 4, 2004

"The Guardian":


Diego Garcia: Paradise Cleansed

by John Pilger
There are times when one tragedy, one crime tells us how a whole system works behind its democratic facade and helps us to understand how much of the world is run for the benefit of the powerful and how governments lie. To understand the catastrophe of Iraq, and all the other Iraqs along imperial history's trail of blood and tears, one need look no further than Diego Garcia.

The story of Diego Garcia is shocking, almost incredible. A British colony lying midway between Africa and Asia in the Indian Ocean, the island is one of 64 unique coral islands that form the Chagos Archipelago, a phenomenon of natural beauty, and once of peace. Newsreaders refer to it in passing: "American B-52 and Stealth bombers last night took off from the uninhabited British island of Diego Garcia to bomb Iraq (or Afghanistan)." It is the word "uninhabited" that turns the key on the horror of what was done there. In the 1970s, the Ministry of Defense in London produced this epic lie: "There is nothing in our files about a population and an evacuation."

Diego Garcia was first settled in the late 18th century. At least 2,000 people lived there: a gentle Creole nation with thriving villages, a school, a hospital, a church, a prison, a railway, docks, a copra plantation. Watching a film shot by missionaries in the 1960s, I can understand why every Chagos islander I have met calls it paradise; there is a grainy sequence where the islanders' beloved dogs are swimming in the sheltered, palm-fringed lagoon, catching fish.

All this began to end when an American rear admiral stepped ashore in 1961 and Diego Garcia was marked as the site of what is today one of the biggest American bases in the world. There are now more than 2,000 troops, anchorage for 30 warships, a nuclear dump, a satellite spy station, shopping malls, bars and a golf course. "Camp Justice," the Americans call it.

During the 1960s, in high secrecy, the Labor government of Harold Wilson conspired with two American administrations to "sweep" and "sanitize" the islands: the words used in American documents. Files found in the National Archives in Washington and the Public Record Office in London provide an astonishing narrative of official lying all too familiar to those who have chronicled the lies over Iraq.

To get rid of the population, the Foreign Office invented the fiction that the islanders were merely transient contract workers who could be "returned" to Mauritius, 1,000 miles away. In fact, many islanders traced their ancestry back five generations, as their cemeteries bore witness. The aim, wrote a Foreign Office official in January 1966, "is to convert all the existing residents ... into short-term, temporary residents."

What the files also reveal is an imperious attitude of brutality. In August 1966, Sir Paul Gore-Booth, permanent undersecretary at the Foreign Office, wrote: "We must surely be very tough about this. The object of the exercise was to get some rocks that will remain ours. There will be no indigenous population except seagulls." At the end of this is a handwritten note by D.H. Greenhill, later Baron Greenhill: "Along with the Birds go some Tarzans or Men Fridays ..." Under the heading, "Maintaining the fiction," another official urges his colleagues to reclassify the islanders as "a floating population" and to "make up the rules as we go along."

There is not a word of concern for their victims. Only one official appeared to worry about being caught, writing that it was "fairly unsatisfactory" that "we propose to certify the people, more or less fraudulently, as belonging somewhere else." The documents leave no doubt that the cover-up was approved by the prime minister and at least three cabinet ministers.

At first, the islanders were tricked and intimidated into leaving; those who had gone to Mauritius for urgent medical treatment were prevented from returning. As the Americans began to arrive and build the base, Sir Bruce Greatbatch, the governor of the Seychelles, who had been put in charge of the "sanitizing," ordered all the pet dogs on Diego Garcia to be killed. Almost 1,000 pets were rounded up and gassed, using the exhaust fumes from American military vehicles. "They put the dogs in a furnace where the people worked," says Lizette Tallatte, now in her 60s," ... and when their dogs were taken away in front of them, our children screamed and cried."

The islanders took this as a warning; and the remaining population were loaded on to ships, allowed to take only one suitcase. They left behind their homes and furniture, and their lives. On one journey in rough seas, the copra company's horses occupied the deck, while women and children were forced to sleep on a cargo of bird fertilizer. Arriving in the Seychelles, they were marched up the hill to a prison where they were held until they were transported to Mauritius. There, they were dumped on the docks.

In the first months of their exile, as they fought to survive, suicides and child deaths were common. Lizette lost two children. "The doctor said he cannot treat sadness," she recalls. Rita Bancoult, now 79, lost two daughters and a son; she told me that when her husband was told the family could never return home, he suffered a stroke and died. Unemployment, drugs and prostitution, all of which had been alien to their society, ravaged them. Only after more than a decade did they receive any compensation from the British government: less than £3,000 each, which did not cover their debts.

The behavior of the Blair government is, in many respects, the worst. In 2000, the islanders won a historic victory in the high court, which ruled their expulsion illegal. Within hours of the judgment, the Foreign Office announced that it would not be possible for them to return to Diego Garcia because of a "treaty" with Washington – in truth, a deal concealed from parliament and the U.S. Congress. As for the other islands in the group, a "feasibility study" would determine whether these could be resettled. This has been described by Professor David Stoddart, a world authority on the Chagos, as "worthless" and "an elaborate charade." The "study" consulted not a single islander; it found that the islands were "sinking," which was news to the Americans who are building more and more base facilities; the U.S. Navy describes the living conditions as so outstanding that they are "unbelievable."

In 2003, in a now notorious follow-up high court case, the islanders were denied compensation, with government counsel allowed by the judge to attack and humiliate them in the witness box, and with Justice Ousley referring to "we" as if the court and the Foreign Office were on the same side. Last June, the government invoked the archaic royal prerogative in order to crush the 2000 judgment. A decree was issued that the islanders were banned forever from returning home. These were the same totalitarian powers used to expel them in secret 40 years ago; Blair used them to authorize his illegal attack on Iraq.

Led by a remarkable man, Olivier Bancoult, an electrician, and supported by a tenacious and valiant London lawyer, Richard Gifford, the islanders are going to the European court of human rights, and perhaps beyond. Article 7 of the statute of the international criminal court describes the "deportation or forcible transfer of population ... by expulsion or other coercive acts" as a crime against humanity. As Bush's bombers take off from their paradise, the Chagos islanders, says Bancoult, "will not let this great crime stand. The world is changing; we will win."

This article first appeared in The Guardian.

Fonte:
http://www.antiwar.com/orig/pilger.php?articleid=3702

29 maio, 2006

História Universal da Destruição dos Livros

Trechos do livro História Universal da Destruição dos Livros, de Fernando Báez (tradução de Léo Schlafman; Ediouro; 438 páginas)

Capítulo VI

A situação das universidades iraquianas é crítica. Soube que depois do fatídico 8 de abril, grupos de saqueadores atacaram a Universidade de Bagdá e levaram tudo o que eram capazes de carregar. Inclusive trouxeram caminhões e fugiram com aparelhos de ar-condicionado, equipamentos de laboratório, arquivos, escrivaninhas, carteiras, cadeiras, computadores, impressoras, scanners, fotocopiadoras... Além disso, e como se tal grau de destruição não bastasse, todos os boletins estudantis, as teses e monografias, os certificados com títulos se perderam em meio à pilhagem e ao caos.

A violência ficou como marca indelével na memória dos estudantes. Alguns, ao contemplar seu centro de estudos incendiado, com as janelas quebradas e as paredes riscadas com lemas contrários a Saddam Hussein, lembram que no começo dos ataques um míssil caiu bem ao lado da universidade, embora pouco depois os americanos admitissem que se tratava de um erro. O buraco deixado no solo era semelhante ao de um meteorito.

Nas faculdades o panorama é desolador. Na de Línguas, a biblioteca com livros em russo e alemão, a maioria de autores clássicos como Dostoievski, Tolstoi, Turgueniev, Tchecov, Puchkin, Gorki, Goethe, é um monte de cinzas recolhido em sacolas. Um exemplar do Fausto, como observei, estava queimado nas bordas e o miolo mostrava sinais de páginas arrancadas à força e de danos causados pelo fogo intenso. Sem querer se identificar, uma linda jovem, coberta com um véu, afirmou-me que foram estudantes os que queimaram esses livros porque os russos e os alemães colaboraram com o ditador Saddam Hussein. Um caso estranho, de fato.

As disputas entre estudantes pela demissão de partidários do antigo regime e a possibilidade de haver eleições são dois dos temas mais acalorados. Quando visitei vários professores nenhum deles queria falar de outra coisa. Era óbvio que o ressentimento havia se apoderado de todos, e diversos papéis afixados nas paredes dos corredores informavam sobre as opiniões dos diferentes grupos. Chamou-me a atenção um que criticava os invasores e outro que contestava o papel anterior fazendo um relatório sobre a vida de seus

autores. Outro aspecto era o dinheiro dos salários e as bolsas. Muitos bolsistas que recebiam do exterior não podiam cobrá-las porque nenhum banco funcionava; dezenas de professores não recebiam desde a tomada de Bagdá e a raiva os mantinha em depressão permanente.

A Biblioteca de Medicina da Universidade Mustansiriya sobreviveu às primeiras tentativas de combate nos arredores, mas a Biblioteca Central de Mustansiriya não teve sorte e os saques foram indiscriminados. Um inventário preliminar nos permitiu saber que muitos livros desapareceram, assim como os móveis e os equipamentos doados há muito tempo. A biblioteca do Colégio de Médicos, que gozava de enorme prestígio porque possuía uma coleção com os melhores livros de medicina árabe medieval, foi saqueada, e o que pude encontrar demonstra a má intenção dos atacantes. Algumas lombadas no chão indicavam que o problema do peso levou os vândalos a arrancar os forros e as capas para apressar o transporte.

Um jovem da Universidade de Bagdá, que vive no bairro de Al-Mansur, me disse: "Algum dia alguém queimará a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, e não haverá tanta perda como a que houve aqui." Ao se considerar a importância cultural do Iraque se deve recordar que o país contém centenas de lugares declarados Patrimônio da Humanidade pela Unesco. Nessas terras se encontram Nínive, onde Assurbanipal governou; Uruk, onde foram encontradas as primeiras amostras de escrita; Asur, capital do império assírio; Hatra e Babilônia.

VII

A Bayt al-Hikma, ou Casa da Sabedoria, também foi atacada. Em 11 de abril, segundo constatei, foram destruídas as peças da exposição sobre o império otomano e uma parte do prédio, que se incendiou. Pela manhã os saqueadores nada deixaram de valor, mas voltaram à tarde, com mais determinação e certos de que o melhor estava oculto. Entre os lugares saqueados estão a gráfica, o salão de leitura e as bibliotecas. Provavelmente, a sala de leitura foi atacada com granadas, como revelam os estragos nas paredes. A seção de livros estrangeiros mostrava, quando cheguei, os sinais da pilhagem: estantes vazias e chão coberto de papéis rasgados. Entre outros, há catálogos que indicam a perda de mais de 5.500 volumes do Escritório Exterior do Reino Unido, cinco tomos de documentos franceses referentes à Primeira e à Segunda Guerra Mundial, documentos secretos dos Estados Unidos sobre o golpe de Estado de 1940, documentos sobre a comunidade judaica de Bagdá, 15 volumes sobre o período otomano, 15 volumes da corte de Mahkama Shar’ija e tomos da Enciclopédia Britânica. Entre os livros perdidos estariam um Corão do século IX, um exemplar do século XII de Maqamat al-Hariri, os textos mais importantes de Avicena, crônicas históricas, poemas e peças teatrais. Disseram-me que a algumas quadras adiante eram vendidos alguns desses livros, o que eu quis comprovar. De fato, aproximeime de um jovem de farto bigode que não hesitou em me oferecer seus livros, que coincidiam com os da Bayt al-Hikma.

No segundo andar, os incêndios foram desastrosos e nada havia que os saqueadores não tivessem levado: computadores, impressoras, lâmpadas, aparelhos de ar-condicionado, cadeiras, escrivaninhas, porta-lápis e móveis. A sala de concertos ficou irreconhecível. Numa das salas parecia ter estourado algum artefato. As estantes de metal, sem livros nem documentos, estavam queimadas, assim como as janelas e as paredes. Posteriormente, a CPA ofereceu 17 mil dólares para reconstruir a coleção, uma quantia irrisória que ignora o mais relevante: esse centro contava antes da guerra com setenta pessoas e quase cem contratados. De forma mesquinha, depois dos saques, ofereceu-se 20 dólares a cada trabalhador, o que gerou mais descontentamento do que alegria.

A Academia de Ciências do Iraque, ou al-Majma’ al-’Ilmi al-’Iraqi, um dos mais prestigiados centros de pesquisa do Oriente Médio, sofreu grandes perdas. Localizada em Waziriya, teve em sua melhor época manuscritos, periódicos, livros estrangeiros, revistas científicas e humanísticas, teses, monografias e centenas de documentos com artigos. Havia um laboratório com vinte computadores, gráfica, salas de leitura e compartimentos bem-dotados para os pesquisadores. O saque começou com a chegada de soldados americanos e um tanque. A bandeira do Iraque, que tremulava na Academia, foi retirada e, de maneira violenta, horas mais tarde, os saqueadores chegaram dispostos a levar tudo. E assim fizeram. Não deixaram um só computador, escrivaninha, regulador de voltagem ou impressora. Estavam enlouquecidos. À diferença de outros centros intelectuais, a Academia não foi incendiada, mas, de um total de sessenta mil livros, metade se perdeu, além de centenas de publicações que eram enviadas do mundo inteiro em diferentes línguas. As fotocópias não se conservaram e algumas puderam ser resgatadas, sem ordem aparente, em meio ao desastre. Uma política eficaz de intercâmbio manteve vigente a atualização permanente da Academia, o que permitiu aos pesquisadores dispor da melhor informação do planeta.

Quando pedi o catálogo dos livros, me disseram que estava entre os objetos roubados, e portanto o trabalho de classificação seria difícil. Vi algumas salas onde ainda se conservam centenas de livros e documentos, mas a desordem, no entanto, não preocupa nenhum dos acadêmicos, porque pior teria sido perder os textos. A pilha de papéis amedrontaria qualquer especialista em bibliotecas, mas não os homens que sobreviveram a bombardeios, assassinatos e à pilhagem que extraviou os textos inéditos do historiador ’Abbas al-Azawi.

A coleção Dar Saddam li-l-makhtoutat se salvou porque Usama N. al-Naqshabandi, seu diretor, escondeu-a. A Bayt al-Hikma, dedicada à pesquisa de ciências sociais, direito, ciências econômicas e políticas, ficou destruída. Em Mossul, as bibliotecas do museu e da universidade se extinguiram.


Fonte:

http://praresenhas.blogspot.com/2006/05/46-uma-historia-de-destruicao-de.html

A violência em São Paulo e a educação no Brasil

17/05/2006 - 14h16
Lula diz que descaso com educação motivou ações de violência em SP

da Folha Online

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quarta-feira que o descaso com a educação na década de 80 motivou a série de ações orquestradas pelo PCC (Primeiro Comando da Capital) no Estado de São Paulo.

"Quando acontece uma desgraça dessas, começa todo mundo a ter uma solução no bolso do colete: pena de morte, cortar telefone, fazer um monte de coisas. A verdade é que essas pessoas que estão presas, todas elas, a maioria jovens de 20 a 30 anos de idade, a maioria, na década de 80, eram crianças de 4 anos de idade", afirmou Lula.

Segundo o presidente, na década de 80, não se cuidou corretamente das crianças e dos adolescentes. "Se a gente tivesse investido em educação, naquela época, se tivéssemos investido em educação na década de 70, na década de 60, na década de 80 e de 90, certamente, muitos desses jovens que estão presos estariam trabalhando, estariam dando aula ou estariam estudando."

"Acabou o tempo em que a gente falava que colocar dinheiro na educação era gasto. Dinheiro na educação é investimento e é o melhor investimento deste país", reiterou Lula.

O presidente participou hoje da cerimônia de entrega das obras de revitalização do hospital São Pio 10 em Ceres (GO).

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u78661.shtml

Comentário:

Existem muitos estudos que mostram sobre a prioridade em investimentos em educação evitam investimentos em segurança, mas não é o caso agora para o Brasil. Os bandidos que estão fazendo o governo de São Paulo de tolo e aterrorizando a população brasileira (pois seus tentáculos estão por todo o Brasil, principalmente pelo uso do celular!). As estatísticas mostram que cada 1 real gasto em educação evitasse o gasto de 4 reais em segurança pública. Mas acontece que canalhas e seus atos criminosos não são de pessoas comuns, são de pessoas com um grau de escolaridade em média muito superior ao resto do país. Para eles é só cadeia mesmo, e como nos EUA, SEM COMUNICAÇÃO COM O PRESO AO LADO E O USO DO T E L E F O N E, e não é nem mesmo o celular, pois muitas cadeias no país os presos tem TELEFÔNE PÚBLICO.

Leia mais sobre o grau de escolaridade dos presos no Brasil: clique aqui!

23 maio, 2006

Justiça condena Ratinho a pagar R$ 150 mil a igreja gay

23/05/2006 - 16h32

da Folha Online

A Justiça condenou o apresentador Ratinho e seu programa, veiculado pelo SBT, a pagar uma indenização de R$ 150 mil à igreja Acalanto, denominação protestante gay cuja sede fica no bairro de Santa Cecília, no centro de São Paulo.

A sentença, à qual cabe recurso, foi dada pelo juiz Guilherme Santini Teodoro, da 4ª Vara Cível de São Paulo, informa a organização Mix Brasil. Nos dias 2 e 5 de maio de 2003, o programa de Ratinho veiculou imagens não autorizadas de um culto. O juiz qualificou a atitude de "postura jocosa, desrespeitosa, depreciativa e pejorativa" ao abordar a comunidade gay.

"A liberdade de imprensa não autoriza, como nenhum direito, o abuso ou o cometimento de ilícitos. [...] O programa tem um conteúdo reducionista, bastante desvinculado de qualquer propósito sadio de promover um verdadeiro debate a respeito da existência e da variedade de seitas religiosas no país e da doutrina religiosa de cada qual", registrou Teodoro em seu despacho.

O SBT afirmou que recorrerá da sentença.

Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u60718.shtml

Algumas frases de alguns famosos

Happiness makes up in height for what it lacks in length. Robert Frost





Life is a long lesson in humility. James M. Barrie





I like long walks, especially when they are taken by people who annoy me. Noel Coward





When men are pure, laws are useless; when men are corrupt, laws are broken. Benjamin Disraeli





When people talk, listen completely. Most people never listen. Ernest Hemingway





Life is far too important a thing ever to talk seriously about. Oscar Wilde





It is impossible for an Englishman to open his mouth without making some other Englishman hate or despise him. George Bernard Shaw





The reason there is so little crime in Germany is that it's against the law. Alex Levin





A jury consists of twelve persons chosen to decide who has the better lawyer. Robert Frost





Interestingly, according to modern astronomers, space is finite. This is a very comforting thought - particularly for people who can never remember where they have left things. Woody Allen





Nobody realizes that some people expend tremendous energy merely to be normal. Albert Camus





On the mountains of truth you can never climb in vain: either you will reach a point higher up today, or you will be training your powers so that you will be able to climb higher tomorrow. Friedrich Nietzsche





The law, in its majestic equality, forbids the rich as well as the poor to sleep under bridges, to beg in the streets, and to steal bread. Anatole France





All men dream: but not equally. Those who dream by night in the dusty recesses of their minds wake in the day to find that it was vanity: but the dreamers of the day are dangerous men, for they may act their dream with open eyes, to make it possible. T. E. Lawrence, "The Seven Pillars of Wisdom"





Life is a moderately good play with a badly written third act. Truman Capote





Every creator painfully experiences the chasm between his inner vision and its ultimate expression. Isaac Bashevis Singer





Regard your good name as the richest jewel you can possibly be possessed of - for credit is like fire; when once you have kindled it you may easily preserve it, but if you once extinguish it, you will find it an arduous task to rekindle it again. The way to gain a good reputation is to endeavor to be what you desire to appear. Socrates





A painting in a museum hears more ridiculous opinions than anything else in the world. Edmond de Concourt





If it weren't for my lawyer, I'd still be in prison. It went a lot faster with two people digging. Joe Martin





He who despairs over an event is a coward, but he who holds hope for the human condition is a fool. Albert Camus





I don't want to achieve immortality through my work... I want to achieve it through not dying. Woody Allen





If a little dreaming is dangerous, the cure for it is not to dream less but to dream more, to dream all the time. Marcel Proust





Climb the mountains and get their good tidings. Nature's peace will flow into you as sunshine flows into trees. The winds will blow their own freshness into you, and the storms their energy, while cares will drop away from you like the leaves of Autumn. John Muir





Walking is also an ambulation of mind. Gretel Ehrlich





Anarchy - it's not the law, it's just a good idea. Unknown





Use soft words and hard arguments. English Proverb





Be still when you have nothing to say; when genuine passion moves you, say what you've got to say, and say it hot. D. H. Lawrence





More than any other time in history, mankind faces a crossroads. One path leads to despair and utter hopelessness. The other, to total extinction. Let us pray we have the wisdom to choose correctly. Woody Allen





All general statements are false. Unknown





Be honorable yourself if you wish to associate with honorable people. Welsh Proverb





There are three rules for writing the novel. Unfortunately, no one knows what they are. W. Somerset Maugham





Every nation ridicules other nations, and all are right. Arthur Schopenhauer





Underlying the whole scheme of civilization is the confidence men have in each other, confidence in their integrity, confidence in their honesty, confidence in their future. Bourke Cockran





Excess on occasion is exhilarating. It prevents moderation from acquiring the deadening effect of a habit. W. Somerset Maugham





A judge is a law student who marks his own examination papers. H. L. Mencken





There are some defeats more triumphant than victories. Michel de Montaigne





Grief can take care of itself, but to get the full value of a joy you must have somebody to divide it with. Mark Twain





Wise men talk because they have something to say; fools, because they have to say something. Plato





Do not be too timid and squeamish about your actions. All life is an experiment. The more experiments you make the better. What if they are a little course, and you may get your coat soiled or torn? What if you do fail, and get fairly rolled in the dirt once or twice. Up again, you shall never be so afraid of a tumble. Ralph Waldo Emerson





So it is with minds. Unless you keep them busy with some definite subject that will bridle and control them, they throw themselves in disorder hither and yon in the vague field of imagination. ..And there is no mad or idle fancy that they do no bring forth in the agitation. Michel de Montaigne





Think not those faithful who praise all thy words and actions; but those who kindly reprove thy faults. Socrates





One word frees us of all the weight and pain of life: That word is love. Sophocles





Be kind, for everyone you meet is fighting a hard battle. Plato





To philosophise is to doubt. Michel de Montaigne





You're only given a little spark of madness. You mustn't lose it. Robin Williams





America is the only country that went from barbarism to decadence without civilization in between. Oscar Wilde





It was one of those perfect English autumnal days which occur more frequently in memory than in life. P. D. James





Pain is inevitable; suffering is optional. Unknown





His lack of education is more than compensated for by his keenly developed moral bankruptcy. Woody Allen





Do not consider painful what is good for you. Euripides





2 is not equal to 3, not even for large values of 2. Grabel's Law





Always acknowledge a fault. This will throw those in authority off their guard and give you an opportunity to commit more. Mark Twain





You can't say that civilization don't advance, however, for in every war they kill you in a new way. Will Rogers





Hell, there are no rules here-- we're trying to accomplish something. Thomas A. Edison





The only thing I was fit for was to be a writer, and this notion rested solely on my suspicion that I would never be fit for real work, and that writing didn't require any. Russell Baker





To conclude, all other living creatures live orderly and well, after their own kind: we see them flock and gather together, and ready to make head and stand against all others of a contrary kind: the lions as fell and savage as they be, fight not with one another: serpents sting not serpents, nor bite one another with their venomous teeth: nay the very monsters and huge fishes of the sea, war not amongst themselves in their own kind: but believe me, man at man's hand receiveth most harm and mischief. Pliny The Elder





I like a woman with a head on her shoulders. I hate necks. Steve Martin





Some men are born mediocre, some men achieve mediocrity, and some men have mediocrity thrust upon them. Joseph Heller





Maybe this world is another planet's hell. Aldous Huxley





Three o'clock is always too late or too early for anything you want to do. Jean-Paul Sartre





A book may be compared to your neighbor; if it be good, it cannot last too long; if bad, you cannot get rid of it too early. Rupert Brooke





I will not eat oysters. I want my food dead- not sick, not wounded - dead. Woody Allen





I adore simple pleasures. They are the last refuge of the complex. Oscar Wilde





Laws are like sausages. It's better not to see them being made. Otto von Bismarck





Advice to writers: Sometimes you just have to stop writing. Even before you begin. Stanislaw J. Lec





It may be true that the law cannot make a man love me, but it can stop him from lynching me, and I think that's pretty important. Martin Luther King Jr.





There is a tragic flaw in our precious Constitution, and I don’t know what can be done to fix it. This is it: Only nut cases want to be president. Kurt Vonnegut





Experience is a hard teacher because she gives the test first, the lesson afterwards. Vernon Sanders Law





The wicked at heart probably know something. Woody Allen





Pleasure is a by-product of doing something that is worth doing. Therefore, do not seek pleasure as such. Pleasure comes of seeking something else, and comes by the way. A. Lawrence Lowell





Go confidently in the direction of your dreams! Live the life you've imagined. As you simplify your life, the laws of the universe will be simpler. Henry David Thoreau





Seek simplicity, and distrust it. Alfred North Whitehead





She had a pretty gift for quotation, which is a serviceable substitute for wit. W. Somerset Maugham

Meta de vida

Repare na frase em destaque abaixo, eu já escutei esta quando tinha a minha ex-namorada, médica, ela tendia a ter tudo sobre controle, muito inteligente e de família muito educada. Classe média alta por sinal.

Ela tentou ou efetivamente me ensinou muita coisa, mas uma das coisas que não aceitava, era a frase abaixo em destaque. Talvez isto e outras coisas mais fizeram nossos caminhos se divergirem. Em muitas outras coisas ela acertou, como por exemplo:

Ela disse que depois do nosso namoro, eu iria casar com a primeira que surgisse. E depois que conheci a "R", ela ainda disse:


Que eu iria deixar a análise (Freudiana nada a ver com análise de sistemas!). E foi o que aconteceu!
Que eu iria deixar a faculdade de Engenharia. E foi o que aconteceu!
Que a namorada iria engravidar. E foi o que aconteceu!
Que ela iria jogar até meu brinquedo preferido de infância fora. E foi o que aconteceu! Mas depois eu o encontrei escondido!
E mais um monte de coisas que não me lembro agora, mas que REALMENTE aconteceram como ela previu.


Saindo do avião, passando pelos corredores do aeroporto de Auckland às 04h30 da manhã (foi aqui que 'perdi' um dia), há uma divisão entre as conexões internacionais (quem estava indo pra Austrália) e os que desceriam aqui. Ainda antes da Imigração, comecei a conversar com outro brasileiro, também de SC, que ia trabalhar ilegalmente na NZ. Começamos a conversar, mas não pude ficar muito tempo com ele, pois (nada pessoal), precisamos saber escolher as alianças que criamos. Se ele precisasse de ajuda por não falar inglês, queria que um policial pedisse minha ajuda (e não ele), pois minha situação é totalmente diferente e podia ser prejudicada.


Fonte: http://viagem-2006-fabrizio.blogspot.com/2006/04/auckland-nz-sexta-feira-31-de-maro-de.html

As minhas escolhas foram feitas depois de muita excitação, mas decide fazer, não baseado em escolhas cartesianas e de uma planilha de prós e contras. Fiz, acertei, errei pois assim é a vida e não acredito nem posso ensinar por exemplo a minha filha que não deva ajudar alguém em função de que uma aliança pode ser ruim ou boa, como no exemplo do texto acima.


Há uns dias atrás, minha filha estava na garagem e encontrou a filha de uma vizinha que não sou íntima, nem mesmo amiga, pois nossa história não se mostrou muito boa. Mas minha filha QUIS brincar com ela, e ao invés de sair COMIGO, preferiu brincar com a 'amiga' que acabara de conhecer. A nossa vizinha tinha 10 anos, e suas outras 2 amigas também tinham esta idade, apesar da diferença, minha filha se dá muito bem com crianças desta idade, não criei dificuldades, deixei-a no apartamento logo em frente e fui tirar uma soneca durante à tarde. Depois de 4 horas fui lá buscá-la. Ela veio com outra fisionomia, mas não se queixou de nada grave. Mas ELA mesma me disse:

_"Papai, não vou mais brincar com ela. Ela disse que iria brincar comigo e não brincou!"

A questão de existir pessoas que não nos agradam é uma coisa, mas NUNCA ensinaria a minha filha a fazer uma análise de uma situação ANTES de passar por ela, no que se refere às pessoas, naturalmente, pois isto é preconceito! Eu já sabia que a filha e a mãe têm o mesmo gênio e humor, ou seja, a filha não iria ser uma pessoa agradável, como não foi mesmo, mas eu não interferi no processo de aprendizado da minha filha. Ela fez um bom julgamento da situação vivida e da situação FUTURA, pois NUNCA mais ela me pediu para ir ao apartamento da vizinha. GAD (Graças a Deus!)

Eu sei que muitos que pensam como o sujeito do texto acima e igual a minha ex-namorada. Sei que é uma atitude muito racional, não sei se estão errados, mas não o compactuo nem é minha menta de vida.

12 maio, 2006

Histórias da família estimulam o autodesenvolvimento

11/5/2006

Um dos hábitos saudáveis que as famílias modernas têm perdido é o de dedicar tempo para contar histórias para seus filhos. Menos ainda o de usar momentos íntimos, tais como refeições, finais de semana ou férias, para conversar sobre a origem, fatos pitorescos e até as dificuldades que os familiares, e seus antepassados, viveram ao longo da existência.

Constatei esta situação a partir de dois fatos, sendo um de caráter estritamente pessoal e o outro proveniente de uma pesquisa acadêmica sobre a importância, para as famílias, em compartilhar com os filhos as dificuldades vividas pelos familiares ao longo de sua história.

A questão pessoal decorre do fato de que cada vez que vou visitar os netos no exterior, e pergunto à nossa filha e genro o que eles gostariam que eu levasse de lembrança para os mesmos, eles pedem que eu vá, apenas, com a disposição de sentar com eles e contar histórias. Sejam elas dos livros, inventadas, ou de eventos e personagens da família.

A pesquisa, feita pelo Centro para o Mito e o Ritual na Vida Americana, da Universidade Emory, na região de Atlanta, com 40 famílias, ao longo de dois anos, registrou e classificou as conversas familiares durante o jantar. Adicionalmente foram feitas entrevistas com pais e filhos para avaliar a saúde emocional e o comportamento das crianças.

Entre as conclusões deste estudo ficou destacada a importância que as histórias contadas, bem como as suas escolhas e forma como são narradas, podem ter uma influência muito maior do que se imagina na formação da auto-estima e na capacidade de aprendizado dos filhos.

O que os pesquisadores estão descobrindo é que a noção da história da família está ligada à auto-estima das crianças e à capacidade delas para enfrentar problemas. E, ao contrário do que podem pensar os adultos, nem sempre as melhores histórias são as que têm finais felizes. Em vez disso, as histórias de parentes às voltas com situações tristes ou difíceis podem passar a sabedoria e a visão do que as crianças precisam para atingir realização e sucesso.

As conclusões da pesquisa mostram que as crianças que compartilharam as histórias e o legado familiar tendem a ganhar uma noção de identidade própria em relação a outros membros da família e ao passado, o que gera maior autoconfiança.

Segundo o professor Robyn Fiyush, responsável pela cadeira de psicologia da Universidade de Emory, "...as famílias que compartilham suas histórias familiares conseguem que seus filhos se saiam muito melhor, tanto na vida pessoal quanto profissional".

O estudo e os seus pesquisadores recomendam, com bastante ênfase, que não se devem maquiar as emoções negativas, mas dar grande destaque à forma como os parentes lidaram com elas ao longo de suas vidas.

Ainda segundo estudo de Atlanta, as famílias que descartavam eventos difíceis usando termos positivos, evitando as emoções negativas, educaram filhos com potencial acadêmico mais fraco, especialmente quando comparadas com as famílias que exploraram a tristeza, a raiva ou o pesar pelo que passaram. De acordo com o professor Fiyush, da Universidade de Emory, "é da maior importância explicar as emoções, e não somente se afundar nelas".

Ao analisarmos este conjunto de observações, à luz da realidade brasileira, é possível imaginar sua importância tendo em vista tanto nossa formação populacional, com todas suas características heterogêneas do ponto de vista cultural, como também no processo de fortalecimento de um vínculo com a história brasileira.

Transposto para o universo da vida privada das nossas diferentes famílias, podemos imaginar que, tanto para os empreendedores, que transformaram desafios em oportunidades de negócios, como para os profissionais que hoje se preocupam com o futuro dos seus filhos, estas experiências no processo de educação dos seus descendentes devem ser observadas com acentuado interesse.

Os empreendedores encontram nesta prática uma forma para darem continuidade ao seu legado, transformando sua família numa família empresária. E desta forma, encaminhando um processo de sucessão muito mais completo e compromissado.

Os profissionais que compartilharem com seus filhos as suas histórias e descendência estarão preparando-os, de uma forma muito mais eficaz, para os desafios da vida. Tanto na perspectiva pessoal como profissional.

Embora sejamos, em algumas circunstâncias, um país de memória curta, devemos assumir o compromisso de evitar isto no âmbito das nossas famílias. Desta forma, estaremos também contribuindo para um futuro melhor, tanto na perspectiva de país como também na qualidade de cidadãos.

E, com certeza, esta não é uma prática de difícil execução. Basta assumir um compromisso com o futuro.
Fonte: Valor Econômico / Renato Bernhoeft

Fonte:
http://www.revistadigital.com.br/namidia.asp?CodMateria=3221