30 dezembro, 2005

O quanto vale um segundo de nossas vidas

Outro dia antes do Natal, estava sentado num ônibus, e vi passar na outra mão de direção, um outro ônibus com as palavras: “Feliz 2005”. Pensei comigo, “o cara colocou a faixa errada” ou ele está “batendo pino”.

Por outro lado, em uma das entrevistas que vi na televisão no final do ano, vi uma senhora dizer “que tinha muito que comemorar até a chegada de 2006...”.

Fazendo um “mexidão” com as duas notícias, imaginei que o motorista do ônibus queria dizer a mesma coisa, ou seja, que ainda temos muito que fazer até os últimos segundos de 2006, e que principalmente, conforme a primeira reportagem selecionada abaixo.

Faça esta pergunta ao garoto que ficou uma semana preso 6 dias num poço em Guarulhos. Ele não perdeu a noção do tempo, e rezava todo o dia para que o encontrassem, e o que ele mais queria era passar o natal com a sua mãe e seu sobrinho pequeno... Quando foi resgatado, com fome e sede, queria comer a comida gostosa que sua mãe costumava a fazer para ele. Um segundo a mais naquele buraco seria uma eternidade, principalmente quando escutou a voz de seus pais, procurando-o no matagal.

Constantemente somos “inundados” de notícias, as ruins nos marcam mais, pois somos mais sensíveis as coisas ruins do que as coisas boas, talvez isto seja resultado de um processo evolutivo de todos os animais, pois somente assim poderíamos perpetuar nossa espécie. Desta maneira, a sensibilidade aos fatos ruins, nos faz querer nos manter cada vez mais longe dos noticiários televisivos e de jornais diários, principalmente os de R$0,25.


Como sugerem os cientistas e o senso comum, somos muito influenciadas a esquecer lembranças ruins, mas isto nos foi dado principalmente para não guardarmos “coisas” (pensamentos) desnecessários…

Então aquela antiga frase que nossos pais já nos diziam ainda fale muito: “É melhor fingir-se de bobo para vivermos...”. Cientistas nos informam que temos que filtrar as informações que nos incomodam, “indesejadas”. Acho que aqui no Brasil temos 2 personagens que fingem de bobo para viverem: os que ESTÃO NO GOVERNO e os que NÃO ESTÃO NO GOVERNO. E o esquecido terceiro personagem: os que os 2 PRIMEIROS AINDA ACHAM QUE SÃO BOBOS: NÓS, os eleitores, cada vez mais conhecedores dos jogos de poder.

E que sem dúvida alguma, tentam nos passar a conta, ou seja, "pagar o pato". Mas isto está mudando...



Eu devo ser um tipo de “A velhinha de Taubaté” , personagem criada por Luis Fernando Verissimo, durante o governo do general João Baptista Figueiredo (1979-1985) ou as notícias que leio nos jornais se NÃO levadas em conta, me fazem o cara mais pessimista do Brasil, e isto eu não gostaria de ser, muito menos a velhinha...

inserir texto aqui


“A velhinha de taubaté (...)
Os governos mudam, as promessas se renovam,
as autoridades nem tanto, mas se há uma coisa firme no país é a crença da
Velhinha de Taubaté. Presidentes da República e ministros, por exemplo, a
consideram um patrimônio nacional, já que ela acredita em todos os seus projetos
e nas justificativas que dão depois para o fracasso dos projetos. Criada durante
o Governo Figueiredo, a Velhinha não é mais personagem das crônicas de
Veríssimo, mas permanece um símbolo da fé cega no Brasil.
(...)”


Para finalizar, digo que fiquei muito decepcionado este ano, tanto quanto na política quanto no futebol. É só lembrar as letras das músicas que cantávamos na década de 80, junto com muitos líderes estudantis, que muitos deles hoje são políticos. As letras continuam atuais, mas com um detalhe, servem para quem as cantou também.

RPM: “ # ...Coroa-Brastel, o crime da mala, um monte de gente envolvida... juram que não, torturam ninguém, agem assim, para o seu próprio bem, são tão legais, fora-da-lei...#” ;

Cazuza: “# A sua piscina está cheia de Ratos, as suas idéias não correspondem aos fatos...#

Mas que meu desejo que outrora era de “mudança” hoje ele é mais pragmático: “o meu desejo é que as coisas funcionem”. Já vi o suficiente para acreditar que a única fonte de esperança num país melhor é na educação das crianças.

Todo poder corrompe...” __ Lorde Acton


Haroldo Kennedy Clebicar Nogueira.


Para não dizer que em 2005 só houve notícias ruins (econômicas), seleciono algumas delas aqui para os que ainda tem MEMÓRIA SELETIVA:



25/12/2005 - 15h02m
Cientistas adiam começo de 2006 em um segundo
Reuters
WASHINGTON - Preparem-se para um minuto de 61 segundos. Cientistas estão adiando o começo de 2006, com o primeiro "segundo intercalado" em sete anos, a fim de compensar mudanças na rotação da Terra. Megafone: Que bom motivo o faria adiar o fim 2005? .
Leia mais em: http://oglobo.globo.com/online/ciencia/189742470.asp



29/12/2005 - 10h47
Tiago, 9, rezou seis dias para sair de poço
MARCO DE CASTRO, do Agora

O garoto Tiago Félix de Souza, 9, resgatado no dia de Natal de um buraco de 20 m onde passou seis dias, teve alta ontem e voltou para casa, em Guarulhos (Grande São Paulo). Ele contou que, no tempo que passou dentro do poço seco onde caiu, pedia a Deus para tirá-lo de lá e só pensava em sua mãe.
Leia mais em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u116753.shtml



Cérebro apaga lembranças ruins, diz pesquisa

Pesquisadores das universidades americanas de Stanford e do Oregon descobriram que o cérebro é capaz de suprimir pensamentos indesejados conscientemente.


”Os estudos utilizaram tomografias computadorizadas do cérebro para demonstrar que as pessoas podem utilizar a força da mente para ”bloquear" pensamentos da mesma forma que fazem com ações indesejadas.
A controvérsia sobre se existe ou não um mecanismo para esconder recordações desagradáveis existe há anos...[ ] “.
Leia mais: http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2004/01/040109_memoriaebc.shtml


Habilidade de filtrar dados influencia memória visual, diz estudo

Uma pesquisa realizada por estudiosos da Universidade do Oregon, nos Estados Unidos, indica que a habilidade do cérebro de filtrar informações inúteis influencia a capacidade de memória visual do cérebro.


Segundo o estudo, publicado na última edição da revista Nature, uma boa memória não depende de espaço de armazenamento no cérebro e sim do quão bem o órgão filtra as informações que recebe, selecionando as mais relevantes...[ ]
A pesquisa diz que as pessoas mais dispersas são aquelas que se deixam inundar com dados desnecessários. Por outro lado, os cientistas afirmam que essas pessoas, em geral, são mais criativas.
Leia mais em:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/story/2005/11/051124_cerebroba.shtml


30/11/2005 - 20h04m
Dona Vitória ganha prêmio de cidadania
Fábio Gusmão - Extra

RIO - Dona Vitória, a aposentada de 80 anos que filmou os traficantes da Ladeira dos Tabajaras durante quase dois anos, foi uma das vencedoras do Prêmio PNBE de Cidadania. Ela foi escolhida na categoria "O cidadão que queremos".
Leia mais: http://oglobo.globo.com/online/plantao/189469603.asp

Qua, 28 Dez - 12h26
Relação dívida externa/PIB fecha ano no menor patamar desde 1975

BRASÍLIA (Reuters) - A relação da dívida externa brasileira em relação ao Produto Interno Bruto deve fechar 2005 em 21 por cento, o menor patamar desde 1975, estimou o Banco Central nesta quarta-feira.
Segundo o BC, a dívida externa bruta deve encerrar o ano em 165 bilhões de dólares, sendo 99 bilhões de dólares do setor público e o restante do setor privado. Este é o menor volume nominal da dívida desde 1995, quando estava em cerca de 164 bilhões de dólares.(Por Isabel Versiani)
Leia mais em: http://br.news.yahoo.com/051228/5/10jqn.html


29/12/2005 - 19h15m
Bovespa lidera ranking de investimentos em 2005

Paula Dias - Globo Online
SÃO PAULO - Quem apostou que as ações seriam um bom investimento em 2005 acertou em cheio. Foi na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) que estiveram as melhores oportunidades de ganhos do ano. O Índice Bovespa, principal indicador da bolsa, fechou o ano com valorização de 27,71%. Os fundos que aplicam recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em ações da Petrobras foram a melhor opção, com ganho acumulado de 52,53% (até o dia 26 de dezembro, segundo relatório divulgado pela Associação Nacional dos Bancos de Investimentos - Anbid). [...]
O analista lembra que a queda do risco-país e o pagamento antecipado da dívida brasileira junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) são dos símbolos da melhora da imagem do país no mercado externo, apesar de o Brasil ter crescido bem menos que outras economias emergentes.
Leia mais em: http://oglobo.globo.com/online/economia/189785149.asp




28/12/2005 - 14h59m
Meta de exportação para o ano já foi superada

O Globo
BRASÍLIA - A meta de US$ 117 bilhões estabelecida pelo governo para as exportações foi superada quatro dias antes de fechar o ano. As vendas externas brasileiras atingiram na terça-feira US$ 117, 005 bilhões. O resultado final da balança comercial brasileira será divulgado e comentado na próxima segunda-feira, pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, em São Paulo. Na ocasião, o ministro Furlan deverá anunciar a nova meta de exportações do Governo Federal para 2006.
Leia mais em:
http://oglobo.globo.com/especiais/exterior/189767597.asp

Redução da miséria no país é a maior desde 1992
28/11/2005 - 13h15m
Globo Online

RIO - A Fundação Getúlio Vargas divulgou, nesta segunda-feira, uma pesquisa mostrando que, em 2004, o Brasil assistiu a uma queda substantiva da pobreza decorrente do crescimento da economia e, em particular, da redistribuição de renda.

Segundo estudo do Centro de Políticas Sociais (CPS), baseado nos dados da Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (PNAD/IBGE), e coordenado pelo economista Marcelo Neri, a proporção de pessoas abaixo da linha de miséria passou de 27,26%, em 2003, para 25,08% no ano passado. Com isso, atingiu o nível mais baixo da série desde o lançamento da nova PNAD em 1992, quando era de 35,87%.

Conforme o exemplo citado pelo colunista Ancelmo Gois, na edição desta segunda de O Globo, se em 1992 um em cada três brasileiros vivia na miséria, atualmente essa proporção caiu para um em cada quatro.

Leia mais em:
http://oglobo.globo.com/online/plantao/189437720.asp


Brasil é 5º melhor para investimentos diretos, diz Unctad

O Brasil é o quinto melhor país para fazer investimentos diretos nos próximos anos, de acordo com um estudo divulgado nesta segunda-feira pela Unctad, a agência da ONU para a promoção do comércio e do desenvolvimento.

A conclusão se baseou em pesquisa feita com empresas transnacionais, especialistas no setor e agências de promoção de investimentos.
O Brasil só ficou atrás da China, dos Estados Unidos, da Índia e da Rússia, nesta ordem.
O país também foi apontado como a 13ª fonte mais importante de investimentos em outros países.
Perspectivas positivas ...[ ]

Leia mais em:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/11/051114_fdiro.shtml



06/12/2005 - 19h26m
Risco atinge novo piso, Bovespa bate recorde e dólar sobe quase 1%

Paula Dias - Globo Online
SÃO PAULO - O EMBI+ Brasil, indicador calculado pelo JP Morgan que mede o risco-país brasileiro, fechou em queda de 7 pontos nesta terça-feira, aos 316 pontos centesimais. Esse é o mais novo piso histórico do indicador, criado em abril de 1994.
Leia mais em:
http://oglobo.globo.com/online/economia/189534426.asp


6 MILHÕES DE CONSUMIDORES LIGADOS.

A Cemig trabalha por Minas. Você comemora os resultados.
[ ] ... Hoje, já são 6 milhões de consumidores ligados, que representam cerca de 17 milhões de pessoas atendidas em 774 municípios. A Cemig é a maior distribuidora de energia de energia elétrica da América Latina e líder mundial pelo Índice Dow Jones de Sustentabilidade. Conquistas que o Governo de Minas e a Cemig têm a satisfação de dividir com você. Em Minas é assim: por onde a energia avança, os resultados chegam a todos os mineiros.

Leia mais:
http://www.cemig.com.br/noticias/6_milhoes.asp


P.S.


Para quem imagina que quiser se dedicar-se ao entendimento de argumentações, sugiro o site abaixo:
http://brazil.skepdic.com/autoridade.html

24 outubro, 2005

Teoria da conspiração confirmada


Rio, 24 de outubro de 2005
A impressora está alerta
Natalia Martín Cantero
Agência EFE

Um grupo de defesa da privacidade descobriu o que significam os minúsculos pontos deixados no papel por algumas impressoras coloridas: trata-se de um código que permite saber quando e em que máquina determinado documento foi copiado. A Electronic Frontiers Foundation (EFF), grupo de defesa dos direitos civis com sede em San Francisco, na Califórnia, suspeitava há muito tempo dos pequeníssimos pontos que alguns modelos de impressoras a cores escondem secretamente em cada documento. O mistério foi enfim revelado depois de cerca de três anos de investigações, com a ajuda de centenas de voluntários de todo o mundo — que enviaram para o escritório da EFF documentos impressos em diferentes máquinas. Será que o Serviço Secreto sabe disso? Fontes do Serviço Secreto dos EUA já admitiram a existência de um acordo com várias fabricantes de impressoras para identificar produtos falsificados. Mas até agora não se conhecia a natureza da informação codificada em cada documento. Trata-se, de qualquer maneira, de um acordo que não satisfaz a EFF. — É estranho que tratem você como a um criminoso, sem sequer saber disso — afirmou Rebecca Jeschke, porta-voz da Fundação. De acordo com David Schoen, técnico da Electronic Frontiers Foundation, os pequenos pontos produzidos por pelo menos uma linha de impressoras codificam o dia e a hora em que o documento foi impresso, assim como o código de série da impressora. Para quem não ligou “o nome à pessoa”, as tais pequenas marcas são pontos amarelos de menos de um milímetro de diâmetro, repetidos em cada página do documento. São tão pequenos que não são vistos a olho nu. Para observá-los, é necessária uma luz azul e uma lupa — ou até um microscópio. Os curiosos que queiram ver as marcas por si próprios podem encontrar as instruções no site da EFF. A Electronic Frontiers Foundation iniciou o projeto com a linha de impressoras da Xerox DocuColor, uma máquina bem mais fácil de ser encontrada em escritórios — ou em lojas de... xerox — do que em casas particulares. Uma equipe liderada por Schoen comparou diferentes documentos impressos na mesma máquina e, depois de observar semelhanças e diferenças, encontrou a maneira de decodificar as marcas deixadas pela impressora. — Até agora só conseguimos quebrar o código das impressoras DocuColor — diz Schoen — Mas acreditamos que outros modelos de outras fabricantes incluem a mesma informação nos pontos. A Canon e a Xerox encontram-se entre as fabricantes que incluem esses códigos. A EFF oferece uma lista completa das fabricantes, em seu site . A organização deixou à disposição do público, no mesmo site, um programa automático para que qualquer cidadão possa decodificar os pequenos pontos deixados pela sua impressora. Nada impede que governos sejam xeretas A Xerox já admitira que mantinha uma parceria com o governo nesse sistema de rastreamento, mas assegurou que somente entidades ligadas ao Serviço Secreto poderiam decodificar a informação. Por sua vez, o Serviço Secreto garante que usa essa informação somente em investigações relacionadas a falsificações. No entanto, adverte a EFF, não existe hoje qualquer legislação específica que impeça que o governo use tais informações. — Os movimentos democráticos clandestinos que publicam panfletos políticos e religiosos sempre necessitarão do anonimato de uma página simples — disse Lee Tien, um dos advogados do grupo. — Esta tecnologia facilita a vida dos governos na hora de encontrar os dissidentes. O advogado da EFF assinala também que a descoberta guarda graves implicações, já que esses códigos dão ao governo e à indústria privada “mais possibilidades para debilitar nossa privacidade com um aparelho que se usa cotidianamente, como as impressoras”. Tien acredita que os técnicos da EFF ainda terão muito trabalho pela frente. — A próxima grande pergunta é: quais outras surpresas ainda vão aparecer para nos assegurar de que nossa tecnologia anda nos traindo? Boa pergunta.

Fonte:

http://oglobo.globo.com/jornal/suplementos/informaticaetc/188904971.asp

20 outubro, 2005

Pensar é preciso



19/10/2005 - 13h05m
Ministro apóia inclusão de sociologia e filosofia no ensino médio
Globo Online

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Fernando Haddad, recebeu nesta quarta-feira representantes dos sindicatos dos sociólogos e dos trabalhadores em educação e o deputado federal Ribamar Alves (PSB-MA). Eles pediram o apoio do MEC para a inclusão das disciplinas de sociologia e filosofia no ensino médio. Haddad disse ser favorável à idéia e solicitou ao secretário da Educação Básica que reafirme ao Conselho Nacional de Educação (CNE) uma proposta de diretrizes curriculares para sociologia e filosofia. O vice-presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Lejeune de Carvalho, disse que as aulas dessas disciplinas são instrumentos para que os alunos possam estudar, interpretar, analisar e refletir sobre a sociedade em que vivem. Segundo ele, as matérias já são oferecidas no ensino médio em mais de 13 estados, mas ainda falta uma lei federal que obrigue as escolas a incluírem as aulas na grade curricular. A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Juçara Dutra, concorda com a importância dessas disciplinas para os jovens. - Vivemos num mundo fragmentado, onde cada vez mais as crianças e adolescentes possuem dificuldades de compreensão da realidade. As matérias de sociologia e filosofia ajudarão muito para esta reflexão - afirmou. Desde 2003, tramita na Câmara um projeto de lei que garante a inclusão da sociologia e da filosofia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio.

Fonte:
http://oglobo.globo.com/online/plantao/188853380.asp

Comentário:

Uma das conseqüências diretas da globalização foi a necessidade de buscarmos as raízes do pensamento ocidental, já que a tecnocracia foi e é suplantada em intervalos cada vez menores. Mas o "tijolo" e o cimento de tudas estas modificações continuam os mesmos: a origem das idéias, a argumentação, as proposições, a cognição, entender mais o nosso desenvolvimento intelectual comparado com outras culturas e até mesmo com outras espécies de mamíferos.
Um livro que deveria ser incluído na lista de livros para pesquisa escolar:

"A falsa medida do Homem", de Sthephan Jay Gould.




28 setembro, 2005

Quando fiz minha autocrítica

Inclui o texto abaixo neste blog e daqui há alguns dias incluirei meu comentário aqui. Tentarei escreve os motivos que me levaram a desistir do meu curso de engenharia. Um dos motivos foi eu ter vergonha de ser quem eu sou, meu modo de agir e ser. Sempre tive mêdo de ser o "esquisito" com um diploma de engenharia. Hoje eu sou apenas o "esquisito" SEM diploma algum.



25/09/2005 - 09h09
Superprofissional dissimula vida própria
RAQUEL BOCATO da Folha de S.Paulo

Típico super-herói, com MBA e especializações, que domine ao menos dois idiomas estrangeiros, trabalhe cerca de 14 horas por dia e abdique dos horários de almoço. Este é o profissional dos sonhos de diversas empresas: um trabalhador com boa bagagem teórica e muita experiência no mercado. E, claro, sem sinais de defeito.As exigências do mercado de trabalho estão delineando um novo profissional, que tem se distanciado de seus desejos para manter-se "empregável": matricula-se em especializações pelas quais não tem interesse, desenvolve habilidades que não são prioritárias e abandona a vida pessoal pelo trabalho. É o caso, por exemplo, de quem faz MBA só para dizer que tem esse curso no currículo.As conseqüências disso, no entanto, impactam na qualidade de vida do trabalhador e, inclusive, quebram suas fronteiras éticas. O pior caso, segundo especialistas, é quando o profissional, que possui títulos e projeta uma imagem de sucesso, não se mostra competente em simples tarefas diárias.A especialista em marketing N.N., 27, e a administradora de empresas Ivete Santos, 36, sabem o que é isso: tiveram projetos "roubados" por superiores que queriam mostrar-se infalíveis aos olhos dos presidentes. "Fiz um plano de relacionamento com empresas durante uma reestruturação interna. A pessoa que assumiu a área não tinha experiência e expôs ao superior o planejamento que fiz como se fosse dela", lembra N.N., que está há quatro meses no cargo de analista de marketing e já pensa em trocar de posto."Minha chefe descartava as sugestões que eu fazia diante da equipe, mas, depois, as apresentava para o dono da firma como se fossem dela", conta Santos.Responsáveis"Há uma cobrança por resultados --que vem da pressão externa por lucratividade e competitividade-- à qual estão submetidas as empresas", diz Luiz Cortoni, professor da Fundação Vanzolini.Para Alvaro Augusto Comin, docente de sociologia da USP, as exigências das empresas têm sido maiores pelo descompasso entre o número de postos de trabalho e a quantidade de mão-de-obra que está disponível no mercado."As firmas vão elevando os pré-requisitos para a contratação", opina. "A falta de uma política de geração de empregos, a não ampliação do sistema público de ensino e a abertura do mercado para instituições de baixa qualidade são as culpadas pela imposição de um novo perfil de trabalhador."Mea culpaAs cobranças para ficar até mais tarde não vinham do empregador da contadora Arlete Amoroso, 28. Era a pressão sobre si mesma o que mais influía no seu dia-a-dia. "Nunca saía do trabalho antes das 20h. Mesmo em licença-maternidade, antes de meu filho nascer, ia sempre para a empresa", lembra.Segundo a contadora, não era uma demanda dos superiores, mas algo imposto por ela. Só reduziu a jornada após dar à luz. "Quando voltei ao trabalho, marcaram uma reunião às 17h. Negociei: como sairia em meia hora, pedi que fosse às 16h. Não fico na empresa após o expediente e dou conta do serviço nesse período."

FONTE:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/classificados/empregos/ult1671u2460.shtml

26 setembro, 2005

Sobre a virtude ou o vício

"O Vício corrige melhor do que a virtude. Suporte um viciado e
você tomará horror ao vício. Suporte um virtuoso e logo você
odiará a virtude inteira."


Tony Duvert
Abecedário Malévolo

23 setembro, 2005

Se podemos dificultar, porque simplificar?

Por que falamos como idiotas Livro:



Why Business People Speak Like Idiots: A Bullfighter’s Guide
Autor: Brian Fugere, Chelsea Hardaway & Jon Warshawsky

Por que falamos como idiotas
Por Tiago Lethbridge.

Publicado originalmente na revista Exame, em 06/06/2005.
Basta entrar numa empresa para ouvir uma língua que usa muitas palavras – mas não diz nada Leia com atenção o diálogo a seguir: – Precisamos adotar as melhores práticas. – Mas com foco no cliente? – É claro! Sem isso, perderíamos nossa vantagem competitiva, afetando o bottomline no longo prazo. – Mas, se não nos alinharmos aos stakeholders, vamos deixar de estar agregando valor ao negócio. Se você não percebeu que essa conversa é apenas um amontoado de jargões gastos, palavras vazias e frases sem o menor sentido, cuidado. Se essas expressões fazem parte do seu vocabulário, então, talvez o caso seja grave. Você pode ser vítima de uma das maiores pragas do mundo dos negócios: falar como um idiota. A comunicação transparente nunca foi tão importante para a sobrevivência das empresas. E, paradoxalmente, nunca tantos usaram tantas palavras para dizer tão pouco. Até recentemente esse assunto era tema de piadas. Neste ano, no entanto, Brian Fugere, Chelsea Hardaway e Jon Warshawsky, três consultores da Deloitte, lançaram um livro que se propõe a estudar seriamente o tema: Why Business People Speak Like Idiots (Por que os homens de negócio falam como idiotas, sem previsão de lançamento no Brasil). Os executivos de hoje falam de maneira evasiva, argumentam os autores, especialmente quando suas empresas têm notícias ruins a dar aos acionistas. No Brasil, há uma agravante. Nossos homens de negócios importam termos usados pelos americanos sem nem tentar traduzi-los. Como resultado, surgem preciosidades como os verbos upgradear, deliverar ou performar -- inexistentes em qualquer dicionário digno do nome. “A baboseira se tornou a língua dos negócios”, escrevem os consultores da Deloitte. Rareiam executivos que sabem se comunicar com clareza, como Jack Welch, o ex-presidente da GE, ou Samuel Klein, fundador da Casas Bahia. Quando os presidentes capricham no discurso rebuscado, entra em ação uma espécie de lei da gravidade, descrita pelo palestrante e ex-colunista de EXAME Max Gehringer: “Os diretores querem falar como os presidentes; os gerentes, como os diretores; os supervisores, como os gerentes; os trainees, como os supervisores; e os estudantes, como os trainees”. Uma boa amostra pode ser colhida no programa de TV O Aprendiz, apresentado por Donald Trump nos Estados Unidos e por Roberto Justus no Brasil. Os candidatos, recém-formados, papagueiam expressões ocas como agregar valor, alinhar ou movido a resultados. “O idiota quer parecer esperto e, para isso, abusa de palavras pomposas”, escrevem os autores do livro. Curioso notar que ninguém fala desse jeito quando não está trabalhando. Como no livro O Médico e o Monstro, de R.L. Stevenson, o funcionário cultiva personalidades distintas dentro e fora do escritório. É difícil imaginar, por exemplo, um gerente de RH que proponha à namorada um relacionamento com mais “foco no resultado”. Quando o funcionário cruza a porta de entrada da empresa, no entanto, seu vocabulário se transforma -- e se afasta do idioma das ruas. Por que a linguagem dos negócios se tornou tão maçante? Há alguns motivos. Faculdades de administração, MBAs, gurus e consultores passaram os últimos 20 anos reinventando velhos conceitos e dando-lhes novos nomes. “Nenhum consultor vai propor analisar os produtos de uma empresa, mas, sim, um realinhamento estratégico do portfólio”, diz Gehringer. Passados os anos, termos como reengenharia, downsizing ou networking se entranharam no bê-á-bá empresarial. A onda mundial do politicamente correto, responsável por transformar anões em “indivíduos verticalmente prejudicados”, também deixou cicatrizes nas empresas. Funcionário, chefe e produto, por exemplo, são termos banidos do dicionário. Hoje chamam-se colaborador, líder e soluções disponibilizadas. “Quando um departamento de RH chama o funcionário de colaborador ou associado, quase sempre quer esconder sua incompetência”, diz Joaquim Patto, diretor da consultoria Mercer. Tecnologias como o PowerPoint, com seus templates, também só ajudam a pasteurizar ainda mais a linguagem. Não é fácil sair dessa situação, em que uns fingem que falam e outros fingem que entendem. Sem uma mudança de paradigma, vamos estar falando como idiotas por um bom tempo.

Fonte: Revista Exame.


Comentário:

Sempre fui a favor de uma linguagem simples, não afetada pelos modismos. Mas nunca deixei de usar a palavra certa conforme a sua própria etimologia. Uma das que tive fazer esta mudança foi paradigma. Apesar desta sempre ter me acompanhado nos meus estudos e aprendizados durante minha vida. Tive que fazer não por vergonha de usá-la, mas simplesmente por tentar não afugentar o meu leitor, pois a palavra "paradigma" foi muito usada e ficou em descrédito, qualquer texto que a citasse, já seria visto também da mesma forma. Uma outra palavra que ficou muito desgastada foi: "estado da arte". As duas levam nossos colegas ao desespero, pois projetos mal sucedidos que vinham com as mesmas não se saíram tão bem assim, conforme prometido. Outro exemplo de uso do idioma inglês para tentar melhorar a imagem de uma área, foi quando vi o uso do texto: “site tecnológico administrativo”, ou invés do comum “setor tecnológico administrativo”, conforme o próprio texto explica, certamente está tentando encobrir alguma falta. O texto acima, logo no finalzinho usa a palavra "paradigma", será que também não poderíamos substituí-la?

22 setembro, 2005

Cuidado com o que se deseja!

Eu prefiro a ignorancia das pessoas mais humildes e pobres (não de espírito, na maioria das vezes), do que a indiferença da classe média. E infelizmente esta classe média de quem se refere estas palavras, são aquelas que sento ao lado, passo por elas pelos corredores, na cantina, das reuniões de onde já se sabe o resultado da ata, de todos os encontros para melhorar o clima organizacional, etc...
Nunca fui de... Ops... Espere, houve um tempo em sempre quis fazer parte da turma. Nesta primeira tentativa eu ainda era criança, me lembro bem, morava ainda em Itapecerica, próximo de Divinópolis. Eu e minha família moramos lá apenas 6 meses. Depois voltamos novamente para Caxambu, minha cidade natal. Mais seis meses, fomos morar em Divinópolis, isto já era o ano de 1975. Espere, saltei a melhor parte, quando nós morávamos em São Sebastião do Paraiso, era o ano de 1972. Estudava com meu irmão gêmeo, Álvaro. Mas não sei o porque, não havia aquela relação de proximidade com ele. Talvez ele quisesse um irmão menos comportado. Por isso que mesmo nas férias que passávamos em Caxambu, ele era mais companheiro do meu primo, o Fernandinho. E quando nosso primos do Rio de Janeiro também estavam de férias em Caxambu, eles faziam um grupo só. Eu não me encaixava no grupo. Me lembro uma vez na piscina do parque, que brincando de "pique" (uma brincadeira de correr e esconder), cai no chão molhado da piscina. A dor era insuportável. Mas mesmo assim eles me fizeram tentar levantar, mas não conseguia faze-los entender que eu não estava fingindo. Então me deixaram lá no chão sem ajuda, até que apareceu alguém que perguntou o que eu tinha. Expliquei a situação. Ele chamou meu irmão e meus primos que por sua vez, chamaram meu pai. Lembro-me que meu pai me carregou para fora do parque e pegou uma charrete de passeio (custume local), que nos levou para casa. Passei estas férias com o pé esquerdo enfaixado. Como se eu tivesse destroncado o pé. A dor continuou pelos próximos dias, até que somente em São Sebastião do Paraíso, minha mãe me levou para o Hospital local. Lá foram tiradas outras radiografias, que constataram que o pé esquerdo estava quebrado. Já saí de lá com o pé engessado.
No meu primeiro dia de aula, não me lembro como cheguei ao colégio, mas me lembro que usava pernas de pau. Não conseguia imaginar até quando eu teria que usar aquelas coisas. Fiquei ansioso só de pensar como iria fazer para ir e vir do colégio todos os dias.
Não me lembro de minha infância de um episódio mais alegre do que quando no primeiro dia de aula, um colega bem maior do que eu, me pegou e colocou em seus ombros e me levou para casa. Minha melhor sensação de afeto humano recebido que me lembro, somente superado pelo que hoje minha filha me dá, mesmo quando ela está dormindo, pois somente a presença dela me afaga.
Falando de sensações, as duas piores que me lembro, foram uma em São Sebastião do Paraíso e outra depois em Itapeceriaca. Ña escola em São Sebastião do Paraíso, tinha uma professora, que não me lembro o nome. Certo dia em sala de aula, ela não gostava que os alunos conversassem em sala de aula. Naquele dia eu estava pedindo lápis de cor para um colega ao lado. Como não queria falar e o som chamar a atenção da professora, resolvi escrever um bilhete e passar para este colega. Passei o bilhete para ele com o pedido. Gando estava entregando o mesmo, este colega chamou a professora e disse que eu o estava importunando. Quando notei a intensão dele, ainda estava com a metade do bilhete na minha mão e a outra na mão dele. O que ocorreu então foi a divisão do tal bilhete em dois. Com a primeira metade do mesmo em suas mãos, a professora veio e me pediu o pedaço de bilhete e passou um "sabão" em mim. Ela disse que não queria ser interrompida novamente. Passados alguns minutos, o meu colega de modo inusitado, chamou a professora e disse que eu lhe havia passado outro bilhete, contrariando assim a sua ordem. Mas era apenas a metade do primeiro bilhete que já estava nas mãos do aluno fingido. Ela correu na direção dele, pegou o bilhete, e fez com que eu engolisse o bilhete, e apesar de eu insistir em dizer que não era "outro" bilhete, mas a metade do primeiro.
Outro episódio, foi quando morava em Itapecerica. Minha avó nos havia presentiado com umas miniaturas de carrinho de ferro. Eu estava com um na minha mão e quando vi meu irmão com um colega dele, corri em direção dos dois e mostrei-lhes com a palma da mão aberta, o carrinho sobre ela. Mal havia acabado de pronunciar minhas palavras de satisfação, o amigo de meu irmão deu um tapa sobre minha mão, jogando assim o carrinho longe. Quando o peguei novamente, ele estava todo arranhado pela queda ao chão. Mesmo depois de adulto, vejo que tenho que segurar minhas emoções, mesmo quando elas estão para explodir de satisfação ou alegria.

Não são só as crianças que tem inveja da felicidade dos outros, os adultos são piores. Principalmente quando se está no trabalho. Numa época em que o trabalho é pouco recompensador e não só no ponto de vista econômico, gostar do que faz deve ser difícil para muita gente, ver alguém trabalhar feliz, deve ser muito mais difícil de suportar, é a única explicação para que eu tenho para o modo de agir de muitos que trabalham comigo.
Diria que aprender a gostar do que se faz é uma tarefa impossível de se aprender numa faculdade, não existe nem mesmo uma cadeira que nos dê uma nota sobre isto.
Não adianta dizer que a média das notas em sala de aula é diretamente proporcional ao gosto da profissão escolhida.

Depois de passar por situações que meus coordenadores tentarem me humilhar, uma das máscaras que eu assumo que uso e mostro o porque, é não expressar alegria nas pequenas coisas que faço diariamente. Expressar felicidade incomoda!!! Principalmente para quem não tem!!!
Minha alegria no que façao é parecido com o carrinho que ganhei de presente, se mostrar esta alegria, haverá alguém incomodado. Se você que ler este texto disser que "por que se incomodar com que o outro pensa?", lhe digo, não sei a razão, mas me sinto melhor não mostrando esta alegria. Foi a opção que escolhi.

Quando escolhi fazer minha análise, numa analistas com credenciais para isto, escolhi faze-la ao invés de concluir meu curso de engenharia, que tanto gosto, meu sonho desde criança. Talvez eu a conclua depois que sair do meu emprego atual.

Me escondo atrás de mim mesmo. Nunca escolhi entrar em grupinhos de papo de futebol, sexo (digo sexo, e não sobre mulheres), drogas, músicas, política, etc...

Sei que nunca vou ocupar um cargo de engenheiro, analista, ou muito menos o que sempre quis, te programador, um volega valorizado. Mas por que seria valorizado, se até mesmo TODOS que me rodeiam buscam a mesma coisa? É um mal sinal. Se estes estão nesta busca, de fato isto TAMBÉM deve assolá-los numa angustia profunda. O que me faz imaginar que em seus círculos de relacionamento, isto o que eu sinto, também os aflige. Como conseqüência lógica, nos faz pensar que quanto mais alto se chega na pirâmide social, menos reais são os relacionamentos.
Não acretido em elogios baratos, estes são feitos para te deixar estagnado ou para ser explorado. Sinto que não sou daqui, serei um eterno estrangeiro.
Talves minha escolha seja a sintese de uma frase chinesa: "Cuidado com o que se deseja!". Se diminuirmos nossa expectativa, diminuimos nossa ansiedade, se perdemos, perdemos pouco. Se vivemos, e se é que isto é vida, vivemos pouco.

02 setembro, 2005

Erros e Fraudes

Este texto dedica-se a todos os que se indignaram e se indignam com pequenos erros, cometidos sem má fé, mas que podem eventualmente levar-nos a uma compreensão errônea de certos fatos e que poderiam permanecer sem correção por muito tempo, e talvez, gerando outros erros ainda. E que dessa indignação, não deve ser levada a cunho pessoal contra os que cometeram o(s) erro(s) – quanto as fraudes, que seja feita justiça - pois logo abaixo explico as situações, com ajuda do ensaísta americano, Stephan Jay Gould, o economista italiano, Vilfredo Pareto.

Lembrando que existe a diferença entre o erro e a fraude. Conforme uma passagem de ensaísta, Gold:

“A fraude é patológica do ponto de vista social e psicológico, embora a ciência deva aprender a policiar-se. O erro é um subproduto inevitável da ousadia – ou de qualquer esforço concentrado. Querer combate-lo seria o mesmo que aprovar uma lei proibindo as pessoas de urinar depois de beber cerveja”. Página 111 de “Dedo mindinho e seus visinhos”, São Paulo, Cia das Letras, 1993.

Nem todos os leitores perspicazes são os mesmos que levam a cabo a elucidação destes mesmos erros, pois como Descartes insistiu em que se escrevesse em sua lápide: “Vive bem, quem esconde bem”. Ou seja, desde a antiguidade a consciência de que expor idéias é também correr riscos. É sabido que tanto Isaac Newton, na física, e Charles Darwin, na biologia, sabiam do tamanho da mudança de pensamento que suas teorias iriam infringir em seus tempos, é não foi por menos que o primeiro levou 30 anos antes de publicar suas idéias, e o segundo, 20 anos. E o que é mais importante, principalmente em relação a Isaac Newton, ele não queria aparecer para não perder os rendimentos que recebia mensalmente, contratado como professor, recebendo como tal, mas sendo um pesquisador, situação conhecida como sinecurismo*.
Os erros podem ser classificados em categorias. A primeira categoria, os erros factuais, os baseados em premissas teóricas que se revelaram falsas ou exageradas. A segunda categoria, os erros de julgamento, que na verdade, são os erros de cálculo político. A terceira categoria:
“... que talvez seja a mais reveladora, compreende os erros que a maioria de nós não reconhece porque nós próprios também costumamos cometê-los. Vamos chamá-los de erros de convenção impensada. Incluo aqui a repetição passiva de suposições culturais generalizadas feita de modo tão automático, ou tão profunda e silenciosamente incorporada à estrutura de um argumento, que mal conseguimos detectar sua presença”. Ibsen, página 113.

Uma pessoa para conseguir elucidar as questões acima precisa ter algumas características básicas: grande intelecto, percepção aguçada e interesses variados, e o principal, não se deixar menosprezar sobre a falta de uma formação acadêmica na área versada, pois tê-la também, não garante a integridade moral, a integridade da idéia em si, nem mesmo a integridade intelectual e penhor de sabedoria.

O objetivo central deste texto é deixar a mensagem que, por mais que possa existir um nível de hierarquia numa grande empresa, uma questão prática urge de se dizer: “conselho se fosse bom ninguém dava, vendia”, pela máxima popular. E no lugar da palavra “conselho”, a substituiremos, pela palavra “sugestão”. E disso vem à história abaixo:


A nossa empresa tenta nos últimos anos, conviver com um dilema, a competição acelerada por projeção profissional, e o dever de se trabalhar em equipe. Nestes dois pólos, temos que conviver com um clima de enxugamento do quadro de empregados, a documentação dos processos, as transcrições deles para um padrão, o trabalho em equipe, que necessariamente deveria levar o executor das tarefas a ser ouvido, nem que seja para fazer um refinamento do assunto. Esse refinamento, informal através de sugestões na forma de diálogo, ou numa maneira mais formal, existindo para isto um documento próprio. Mas o que experimento de fato e vejo entre os meus colegas é exatamente o contrário. Relato este por mera questão de ter chegado a um ponto de desistir de fazer as sugestões, mas não antes de me explicar o por quê. O engessamento institucional foi decretado pela própria existência de um fato: geralmente o gerente escolhe um assistente que seja menos polêmico e mais conciliador. E como a vida é um grande jogo, nosso senso comum logo rastreia estas características básicas de prêmio e punição. A iniciativa de não se levar qualquer questão para ser resolvida, como uma sugestão, para uma outra área, será antecipadamente reprimida, pois isto, logo verá tratado com repugnância pela área “afetada”, e o que era de início era uma sugestão, será tratado como um problema trazido. Tolhendo futuramente quaisquer iniciativas, pois o saldo será uma imagem desgastada, já que é uma questão pequena, não merecendo entrar na categoria de “custo x benefício” aceitável.

O fato:

Há alguns anos minha estação de trabalho de desenvolvedor – ou todas as estações de desenvolvedor – são configuradas com uma “imagem”, no jargão da informática, um conjunto básico de ferramentas e de sistema operacional. E esta imagem vem sendo instalada com o “Visual Studio 6”, com o aplicativo “Source Safe” como aplicativo “servidor” e não como aplicativo “cliente”. Depois de um bom tempo, entendi a situação e levei a sugestão para o pessoal que faz a instalação destas imagens. Mas me foi solicitado que eu passasse esta alteração de procedimento para o meu supervisor, pois SEM a autorização do mesmo, a sugestão não seria aplicada, e pelo que eu entendi, muito menos aceita como uma possível abstração de pensamento para que a concretude da mesma fosse avaliada antes mesmo de uma formalização documentada. Lembrando nosso ex-presidente Tancredo Neves, que disse uma vez que “em Minas Gerais, não se faz uma reunião sem antes saber o que se vai decidir”. Mas isto significa duas coisas: a sugestão de um técnico não tem expressão em sua percepção, mas se fosse uma ordem de um gerente, isto seria levado em conta, mesmo que este gerente não usasse o aplicativo em hipótese alguma. Não duvido que todos os que tiveram suas estações passadas pelo procedimento de configuração por imagem, e ter que usar o “Source Safe” como cliente, não viram os problemas, mas o fato é que ninguém tem coragem de se expor para alterar um problema tão banal, a ponto de se expor para resolver tal condição de erro. A liberdade individual da decisão acima é um direito de cada um de fazê-lo, mas o que faz com que isto seja mais freqüente, os motivos pelos quais levam as pessoas à não comunicar um dado problema, é que está sendo criticada neste texto. E com isto, uma condição que seria resolvida numa simples autocrítica, ficará por se perpetuar por muito tempo. Mais uma questão a ser definida aqui neste texto, vem do economista italiano Vilfredo Pareto:

Prefiro sempre um erro frutífero, cheio de sementes, prenhe de suas próprias correções, à verdade estéril. A verdade estéril que fique para quem a formula”.

O que eu tentarei dizer com a frase acima é que, a identificação pontual de um erro por si só não leva a melhoria de uma pessoa ou instituição, naquele momento, o que se deve ter é a consciência reflexiva de melhoria e a abertura para novas interpelações.
Diante de uma empresa que nos leva a fazer cursos de sobrevivência na selva para aumentar nosso espírito cooperativo e de equipe, fica a questão: não seria relevante treinamento de autocrítica e estimular a não agir com tanta defensiva? Ou será que Descartes estava certo em sua máxima: “Vive bem, quem esconde bem”?


Referências para pesquisa:

Neste livro, você entenderá que nós consumidores não escolhemos nada além do que já foi decido pelos que comandam o processo produtivo. Que nas grandes empresas ou corporações, apesar do acionista ser o proprietário das mesmas, e se ter um conselho consultivo composto por pessoas não ligadas a diretoria, estas simplesmente aprovam todas as decisões dos administradores das mesmas, não ingerindo nada contra as decisões que prejudiquem as próprias empresas ou até mesmo seus acionistas, os verdadeiros proprietários e donos.

A ECONOMIA DAS FRAUDES INOCENTES, GALBRAITH,JOHN KENNETH, CIA DAS LETRASISBN: 8535905707















Apêndice

Temas relacionados para pesquisa:

Além do intolerável, artigo de Míriam Leitão, em O Globo de 27 de setembro de 2005




Sobre as reformas do mundo atual

A virada do século foi emblemática. Trouxe-se de volta o temor da intolerância e do militarismo, por outro lado estabeleceu um paradigma de como as nações devem agir com relação aos seus governantes. Já não mais se perdoa tudo, em todos os níveis. Desde funcionários com atividades mais simples aos chefes de estado, os servidores públicos passaram a ser vistos e tratados como o que realmente são: servidores públicos, defensores do bem comum. Com isso, o sinecurismo está ferido de morte.No mundo globalizado, eficiência é palavra-chave, e para ser eficiente torna-se necessário, por vezes, ir além do cumprimento do dever. Ao servidor, são atribuídas responsabilidades. Mas, isso só não basta. Cabe ao servidor também imbuir-se de responsabilidades e ser o seu próprio vigia na observância do cumprimento do proposto...

Artigo escrito por Marcus Vasconcelos, Presidente do Instituto Zumbi dos Palmares, publicado no "O Jornal" (matutino de Alagoas) no dia 19 de novembro de 2003.


· Para quem se indigna e faz alguma coisa pelo nosso Brasil:

25/08/2005 - 15h49mAposentada que filmou o tráfico comemora a prisão de bandidos e PMsFábio Gusmão - ExtraRIO - A noite passada foi a primeira que a aposentada Dona Vitória, de 80 anos, passou sem ouvir a feira das drogas na Ladeira dos Tabajaras e os tiros disparados por bandidos de Copacabana. Ela ingressou em um programa de proteção a testemunhas e já deixou o apartamento no qual, durante dois anos, gravou imagens do tráfico na favela que fica a poucos metros do imóvel. Ela ficou emocionada com a repercussão do documentário que produziu e satisfeita com o resultado: 13 traficantes e sete PMs foram presos graças às suas 22 fitas. - Estou de alma lavada. Foi por tudo isso que batalhei, sabia que teria um bom resultado. Sinto-me realizada, valeu a pena. Aquela gente mereceu - disse ela, ao se encontrar com o secretário estadual de Segurança Pública, Marcelo Itagiba, na tarde de quarta-feira. Na noite desta quarta-feira, o juiz Flávio Itabaiana, da 27ª Vara Criminal do Rio, decretou a prisão temporária de 12 indiciados do caso. Destes, sete são policiais militares. Segundo o juiz, o Ministério Público opinou contrariamente à prisão de três policiais, mas ele acolheu integralmente a representação dos delegados Fernando Veloso e Marcus Castro, da 12ª DP, responsáveis pelo inquérito. Itabaiana já havia decretado anteriormente a prisão de outros indiciados do mesmo inquérito.
A satisfação com o resultado empolgou Dona Vitória. O esquema de segurança montado para ela não chegou a incomodá-la. Pelo contrário: a aposentada comemorou com policiais a captura dos envolvidos com o tráfico em Copacabana: - Os PMs presos não honraram a farda, eles a usaram para fazer o mal. Venderam armas para bandidos, utilizadas no assassinato de várias pessoas. Não podemos nos conformar com isso. Há dois anos, Dona Vitória vem filmando da sua janela flagrantes do movimento dos usuários e vendedores de drogas que circulam na favela que movimenta cerca de R$51 mil semanais com a venda de entorpecentes. Ao todo foram produzidas 22 fitas, com cerca de 33 horas de gravação. Narrando todas as cenas que captava como se fosse uma cineasta, seu relato é um misto de espanto, revolta e emoção. Como no dia em que, estupefata, flagra um grupo de crianças de 6, de 10 e de 12 anos de idade cheirando cocaína perto de uma ribanceira. Na quarta-feira, a Ladeira dos Tabajaras amanheceu ocupada pela polícia. A investigação identificou 36 pessoas envolvidas no tráfico de drogas na região. O secretário de Segurança, Marcelo Itagiba, deu detalhes da operação: - Com base em denúncias trazidas à Secretaria de Segurança Pública pelo jornal Extra, determinei, há cerca de três meses, às polícias Civil e Militar que iniciassem investigações naquela comunidade. Esse trabalho, feito também com o Serviço de Inteligência da Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), resultou na gravação de 800 horas de conversas entre traficantes daquele local, do Morro Dona Marta e de presos de Bangu 3 - explicou Itagiba.


“Filósofo e cientista político inglês, Thomas Hobbes nasceu em Westport, hoje parte de Malmesbury, cerca de 140 km a oeste de Londres, em 5 de abril de 1588, e veio a falecer em 4 de dezembro de 1679 com 91 anos. Filho de outro Thomas Hobbes, sua infância foi marcada pelo medo da invasão da Inglaterra pelos espanhóis, ao tempo da rainha Elizabete I (1558-1603)”.


Tenho em minha camiseta, os quadrinhos de “Calvin e Hobbes”, que no Brasil, foi na minha opinião, alterado para “Calvin e Haroldo”, tirando todo significado na escolha dos dois nomes e seu relacionamento com os comportamentos dos mesmos nos quadrinhos. Nos quadrinhos, que não foram feitos para crianças, o que na minha opinião, foi o que levou os editores brasileiros a fazer esta alteração, pensando que isto iria “vender” melhor os quadrinhos ao público infantil. Lembro-me que nem na minha adolescência, eu conseguia entender os quadrinhos, ou seja, não era para um público juvenil brasileiro que estudou em escolas públicas, talvez para um jovem que tivesse estudado numa escola particular. Entender a mensagem de Tomas Hobbes, é entender o significado da eterna competição entre as duas personagens, um sempre correndo do outro, ou ultrapassá-lo como a meta principal de suas brincadeiras, que é a metáfora da mesma competição na vida real. E quando as coisas começam a ficar ruim para Calvin, ele chama a ética como proteção DELE, e apenas para ser usada em sua defesa, e não a dos outros.

Um pouco sobre a doutrina de Hobbes:

“... Na sua concepção de natureza humana é básico o conceito de conatus, a força genética do comportamento. É um impulso original ou ‘começo interno’ do movimento animal para se aproximar do que lhe causa satisfação ou para fugir do que lhe desagrada. Esse conatus impulsiona o homem a vencer sempre. A vida começa com o CONATUS positivo, o desejo. Em termos de vida social, ultrapassar o outro é fonte primordial de satisfação, por isso estar continuamente ultrapassado é miséria enquanto ultrapassar continuamente quem está adiante é felicidade. É da sua natureza o egoísmo, constituído por ‘um perpétuo e irrequieto desejo de poder e mais poder que só termina com a morte’.A vontade obedece à razão, segundo o racionalismo clássico. Porém, para Hobbes, é apenas apetite. Um determinismo mecanicista regeria não só os movimentos do universo como também a atividade psicológica do homem. O livre arbítrio não passaria de ilusão: seria apenas uma expressão destinada a ocultar a ignorância das verdadeiras causas das decisões humanas.O conatus provoca guerra de todos contra todos, é o estado natural em que vivem os homens, antes de seu ingresso no estado social. O homem é governado por suas paixões e tem como direito seu conquistar o que lhe apetecer. Como todos os homens seriam dotados de força igual (pois o fisicamente mais fraco pode matar o fisicamente mais forte, lançando mão deste ou daquele recurso), e como as aptidões intelectuais também se igualam, o recurso à violência se generaliza .Mas, além do conatus, governa o homem também o instinto de conservação e este leva ao desejo da paz. Deixado meramente a si mesmo, o instinto de conservação é abertura para a violência enquanto esta não é um risco e, ao mesmo tempo, para a paz tática que prometa conservação. Assim se define o campo da lei natural de sobrevivência.Por isso o instinto de conservação é peça tão fundamental na filosofia de Hobbes quanto sua idéia do conatus, porque para ele, ao contrário do pensamento aristotélico que tem o homem como um animal social, os indivíduos só entram em sociedade quando a preservação da vida está ameaçada. E estaria ameaçada pelos próprios indivíduos, se cada qual tudo fizer para exercer seu poder sobre todas as coisas. A paz é a dimensão mais compatível com o instinto de conservação.Pode-se então supor algo como um contrato tácito entre os homens, implicando em que contêm os seus ânimos, como defesa interna e que, reunidos, formarão um povo, de modo que a multidão dos associados seja tão grande a ponto de garantir a defesa externa, tirando a esperança de seus adversários de que um pequeno número baste para assegurar-lhes à vitória.A contenção interna implica uma ética. No nível das relações morais, é preciso que cada um - segundo Hobbes – ‘não faça aos outros o que não gostaria que fizessem a si’; é preciso evitar a in gratidão, os insultos, o orgulho, enfim, tudo o que prejudique a concórdia...”.

Resumos do artigo René Descartes**, in. Filosofia Moderna - Rubem Queiroz CobraCOBRA.PAGES.nom.br, Internet, Brasília, 1997. Disponível na internet em Filosofia Moderna.

**”René Descartes, nascido em 1596 em La Haye - não a cidade dos Países-Baixos, mas um povoado da Touraine, numa família nobre - terá o título de senhor de Perron, pequeno domínio do Poitou, daí o aposto ‘fidalgo poitevino’”. (http://www.mundodosfilosofos.com.br/descartes.htm, retirado em 01/09/2005).


INDÚSTRIAS CULTURAIS

Pesquisas e leituras no domínio das indústrias culturais (imprensa, rádio, televisão, internet, cinema, vídeo, videojogos, música, livros e centros comerciais). Blogueiro desde 26 de Dezembro de 2002. Endereço electrónico: Rogério Santos

19.6.05


(LEITURAS DE JORNAIS)
1) livros que respondem às nossas dúvidas...
... em qualquer ocasião, mas em especial em épocas de crise (econômica, social, moral), surgem livros com respostas às nossas dúvidas e que apontam o caminho para o futuro, de modo imperturbável. Parece, assim, haver dois mundos: os que têm dúvidas (seres normais) e os que apenas têm certezas. Há, assim, grandes idéias e soluções para os nossos problemas; basta ler o livro adequado ao momento.Eis a proposta de Bryan Appleyard, no Sunday Times de hoje, que destaca os títulos mais vendidos segundo o New York Times: 1) Freakeconomics, que aplica a teoria econômica a quase todas as formas de atividade humana, 2) The world is flat, que revela o modo como tudo está a mudar com a globalização, 3) Blink, que sugere que podemos saber de tudo sem pensarmos em nada, 4) On bullshit, perspectiva filosófica sobre a corrupção de linguagem e verdade dos políticos e dos relações públicas [melhorei a tradução], 5) Collapse, sobre o falhanço das sociedades. Cada um à sua maneira, continua Appleyard, é sobre tudo e procura transformar o nosso entendimento do mundo através de uma "grande idéia".Cáustico, ele acrescenta outros títulos: Felicidade, Tudo o que é mau é bom para você, Mundos paralelos. E não esquece Tom Peters, Em busca da excelência, que foi traduzido para português e eu me obriguei a ler na época. A estes prospectivadores ou futurólogos, o colunista chama wossers, palavra que me pôs à nora para encontrar um termo adequado na nossa língua. Por isso, procurei mais à frente entender-me com Appleyard, que menciona um professor de economia, Paul Ormerod, que escreveu um livro chamado Porque falham muitas coisas. Elas falham porque todas as grandes idéias econômicas estão erradas. Ormerod sugere um modelo biológico para a teoria económica, dada a complexidade do mundo humano. O seu livro é anti-wosser - atrever-me-ia agora a traduzir por antiiluminado -, equilibrando a crença desmesurada quando se fala no progresso tecnológico e nas grandes idéias.Por isso, se vê o mundo por um ângulo negativo, não se fie muito nos que prometem explicações e soluções para o seu problema ou os do mundo. As grandes idéias - grandes, mas rígidas - residem no plano teórico. O que precisamos, aconselha o colunista, é de serenidade, aceitação, pequenas alegrias. A que acrescentaria, da minha lavra: deve-se continuar a trabalhar e a tratar com os outros - vizinhos, colegas e simples desconhecidos - em busca de soluções pequenas e imperfeitas que sejam.
Fonte: http://industrias-culturais.blogspot.com/2005_06_19_industrias-culturais_archive.html, retirado em 02/09/2005.


Pós-escrito:

Recomendaria que o corpo gerencial da empresa encomendasse um curso que aumentasse a percepção do outro, ou seja, de um aumento de empatia, para que ninguém se sinta acuado ou mais poderoso que o outro, pois na realidade, somos seres frágeis e que no fundo, até um gesto de “violência gratuita”, por exemplo, um tom de voz mais agressivo, às vezes isto significa um pedido de ajuda e não de real agressão (logicamente que existem as exceções, como explicarei abaixo).
Quando o distanciamento entre as pessoas se desfaz, tanto o físico, quanto o psicológico, e ambos olham diretamente nos olhos do outro, isto não ocorre somente em situações de conflito, mas na prestação de serviços, e que um deles leve vantagem estratégica sobre o outro (numa relação comercial, ou hierárquica, ou simplesmente de deter um conhecimento específico), esta situação passa a ser encarada de forma mais humana, ou seja, numa inversão de 180 graus. Aquele que ficou no “papel” de opressor, ou que está numa situação de vantagem, poderá ceder para aquele que está em situação de desvantagem. Isto vale como regra geral, exceto se um deles é um sociopata.
Numa situação semelhante já ocorre na França, em que pessoas extremamente endividadas são convidadas a participar de uma reunião de renegociação das dívidas domésticas junto com os credores. Isto com uma intimação da promotoria pública para os credores. Ao invés da negociação tradicional por um telefone 0800, ou por carta, ambos se encontram numa sala com dia e hora marcados. O credor quando vê a situação do endividado e sua vontade de pagar - lembrando aquela máxima: “devo, não nego, pago quando puder” - geralmente chegam ao um acordo.

Belo Horizonte, 24/08/2005.
Um exemplo ilustrativo em "Ensaio Inédito"
Eu li o texto abaixo num vôo que fiz em serviço naquela mesma data. Mas infelizmente eu o perdi. Mas para exemplificar, na semana passada, dia 22/09/2005, entrei no site da TAM e no endereço de "Fale conosco", detalhei sobre o texto que precisava e recebi ontem à tarde, dia 26/09/2005. Agradeço a TAM pela presteza no envio do mesmo.
Ensaio Inédito


Na primeira semana de dezembro embarcamos com mais 225 funcionários da TAM para Miami, no novo A330-200.
De saída, atrasamos em uma hora, já que não havia lugar na rampa de embarque, em Guarulhos, para estacionar o avião. Em seguida, trocamos os lugares de vários no avião, o que gerou um certo mal estar a bordo.
Provocamos um “overbooking” e deixamos alguns passageiros para trás, o que produziu novos descontentamentos.
O serviço de bordo lento e descompassado fez com que todos fossem jantar muito tarde e tivessem que tomar café da manhã muito cedo, não dando tempo para o pessoal descansar, exatamente como faz outra empresa brasileira.
Ao cegar a Miami, algumas malas tinham desaparecido.
Depois de uma longa espera no aeroporto, liberamos os funcionários para um “city tour” seguido de um “shopping tour” para que fizessem suas compras e pudessem, assim, voltar à noite para o Brasil, já que segunda-feira era dia de batente.
Na volta, todos se apresentaram para o “check-in” em Miami que estava extremamente lento e todos os funcionários, nas filas irritados e nervosos com aquela demora no atendimento, o que atrasou a decolagem novamente em 1 hora e 5 minutos precisamente.
Ao pousar em Guarulhos, encontramos a bagagem de todos, devolvemos e fizemos questão de dizer que todos aqueles percalços haviam sido propositais e planejados para que eles pudessem avaliar, do outro lado da linha, o que ocorre com os passageiros quando nós cometemos com eles esses pecados.
O difícil nesse vôo foi pedir a todos os chefes, que comandam esses serviços na TAM, para que não interferirem nos erros e nos problemas que, em um ensaio inédito, deliberadamente provocamos.
O fato é que todos foram surpreendidos por uma TAM que não queremos, não desejamos e que trabalhamos para não ter.
Todos eles, agora, depois desse ensaio, conhecem, por experiência própria, os dois lados da moeda. Um deles, quando procuramos soluções para os Clientes conhecendo na pele seus problemas e recebendo seus “inputs” diariamente no Serviço Fale com o Presidente; ou, o outro lado, simplesmente como fazem outras organizações que se baseiam apenas nas frias regras escritas pelos burocratas.Com essa experiência, renovamos nossa humildade e aprendemos praticando.
Rolim Adolfo Amaro.
Presidente da TAM.