24 outubro, 2005

Teoria da conspiração confirmada


Rio, 24 de outubro de 2005
A impressora está alerta
Natalia Martín Cantero
Agência EFE

Um grupo de defesa da privacidade descobriu o que significam os minúsculos pontos deixados no papel por algumas impressoras coloridas: trata-se de um código que permite saber quando e em que máquina determinado documento foi copiado. A Electronic Frontiers Foundation (EFF), grupo de defesa dos direitos civis com sede em San Francisco, na Califórnia, suspeitava há muito tempo dos pequeníssimos pontos que alguns modelos de impressoras a cores escondem secretamente em cada documento. O mistério foi enfim revelado depois de cerca de três anos de investigações, com a ajuda de centenas de voluntários de todo o mundo — que enviaram para o escritório da EFF documentos impressos em diferentes máquinas. Será que o Serviço Secreto sabe disso? Fontes do Serviço Secreto dos EUA já admitiram a existência de um acordo com várias fabricantes de impressoras para identificar produtos falsificados. Mas até agora não se conhecia a natureza da informação codificada em cada documento. Trata-se, de qualquer maneira, de um acordo que não satisfaz a EFF. — É estranho que tratem você como a um criminoso, sem sequer saber disso — afirmou Rebecca Jeschke, porta-voz da Fundação. De acordo com David Schoen, técnico da Electronic Frontiers Foundation, os pequenos pontos produzidos por pelo menos uma linha de impressoras codificam o dia e a hora em que o documento foi impresso, assim como o código de série da impressora. Para quem não ligou “o nome à pessoa”, as tais pequenas marcas são pontos amarelos de menos de um milímetro de diâmetro, repetidos em cada página do documento. São tão pequenos que não são vistos a olho nu. Para observá-los, é necessária uma luz azul e uma lupa — ou até um microscópio. Os curiosos que queiram ver as marcas por si próprios podem encontrar as instruções no site da EFF. A Electronic Frontiers Foundation iniciou o projeto com a linha de impressoras da Xerox DocuColor, uma máquina bem mais fácil de ser encontrada em escritórios — ou em lojas de... xerox — do que em casas particulares. Uma equipe liderada por Schoen comparou diferentes documentos impressos na mesma máquina e, depois de observar semelhanças e diferenças, encontrou a maneira de decodificar as marcas deixadas pela impressora. — Até agora só conseguimos quebrar o código das impressoras DocuColor — diz Schoen — Mas acreditamos que outros modelos de outras fabricantes incluem a mesma informação nos pontos. A Canon e a Xerox encontram-se entre as fabricantes que incluem esses códigos. A EFF oferece uma lista completa das fabricantes, em seu site . A organização deixou à disposição do público, no mesmo site, um programa automático para que qualquer cidadão possa decodificar os pequenos pontos deixados pela sua impressora. Nada impede que governos sejam xeretas A Xerox já admitira que mantinha uma parceria com o governo nesse sistema de rastreamento, mas assegurou que somente entidades ligadas ao Serviço Secreto poderiam decodificar a informação. Por sua vez, o Serviço Secreto garante que usa essa informação somente em investigações relacionadas a falsificações. No entanto, adverte a EFF, não existe hoje qualquer legislação específica que impeça que o governo use tais informações. — Os movimentos democráticos clandestinos que publicam panfletos políticos e religiosos sempre necessitarão do anonimato de uma página simples — disse Lee Tien, um dos advogados do grupo. — Esta tecnologia facilita a vida dos governos na hora de encontrar os dissidentes. O advogado da EFF assinala também que a descoberta guarda graves implicações, já que esses códigos dão ao governo e à indústria privada “mais possibilidades para debilitar nossa privacidade com um aparelho que se usa cotidianamente, como as impressoras”. Tien acredita que os técnicos da EFF ainda terão muito trabalho pela frente. — A próxima grande pergunta é: quais outras surpresas ainda vão aparecer para nos assegurar de que nossa tecnologia anda nos traindo? Boa pergunta.

Fonte:

http://oglobo.globo.com/jornal/suplementos/informaticaetc/188904971.asp

20 outubro, 2005

Pensar é preciso



19/10/2005 - 13h05m
Ministro apóia inclusão de sociologia e filosofia no ensino médio
Globo Online

BRASÍLIA - O ministro da Educação, Fernando Haddad, recebeu nesta quarta-feira representantes dos sindicatos dos sociólogos e dos trabalhadores em educação e o deputado federal Ribamar Alves (PSB-MA). Eles pediram o apoio do MEC para a inclusão das disciplinas de sociologia e filosofia no ensino médio. Haddad disse ser favorável à idéia e solicitou ao secretário da Educação Básica que reafirme ao Conselho Nacional de Educação (CNE) uma proposta de diretrizes curriculares para sociologia e filosofia. O vice-presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, Lejeune de Carvalho, disse que as aulas dessas disciplinas são instrumentos para que os alunos possam estudar, interpretar, analisar e refletir sobre a sociedade em que vivem. Segundo ele, as matérias já são oferecidas no ensino médio em mais de 13 estados, mas ainda falta uma lei federal que obrigue as escolas a incluírem as aulas na grade curricular. A presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), Juçara Dutra, concorda com a importância dessas disciplinas para os jovens. - Vivemos num mundo fragmentado, onde cada vez mais as crianças e adolescentes possuem dificuldades de compreensão da realidade. As matérias de sociologia e filosofia ajudarão muito para esta reflexão - afirmou. Desde 2003, tramita na Câmara um projeto de lei que garante a inclusão da sociologia e da filosofia como disciplinas obrigatórias em todas as séries do ensino médio.

Fonte:
http://oglobo.globo.com/online/plantao/188853380.asp

Comentário:

Uma das conseqüências diretas da globalização foi a necessidade de buscarmos as raízes do pensamento ocidental, já que a tecnocracia foi e é suplantada em intervalos cada vez menores. Mas o "tijolo" e o cimento de tudas estas modificações continuam os mesmos: a origem das idéias, a argumentação, as proposições, a cognição, entender mais o nosso desenvolvimento intelectual comparado com outras culturas e até mesmo com outras espécies de mamíferos.
Um livro que deveria ser incluído na lista de livros para pesquisa escolar:

"A falsa medida do Homem", de Sthephan Jay Gould.